terça-feira, 30 de novembro de 2010

Wikileaks sob novo ataque DDoS

wikileaks[1]O Wikileaks anunciou no Twitter que está  sob novo ataque de negação de serviço (Distributed Denial of Service, DDoS), excedendo 10 Gigabits por segundo. Este ataque deixou a página inacessível aos utilizadores da Europa e dos Estados Unidos e é um método utilizado frequentemente pelos hackers quando querem impedir o acesso ou torná-lo mais lento.
Entretanto, a China bloqueou o acesso ao site do Wikileaks, tendo o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês afirmado que não deseja perturbações nas relações bilaterais com os Estados Unidos.

Leis Penais Extravagantes

A Universidade Católica leva a efeito hoje, às 18 horas, no edifício Biblioteca João Paulo II (Piso 2) a conferência de lançamento do livro “Comentário das Leis Penais Extravagantes”, sobre um estudo inédito de 112 leis penais, que envolveu 29 magistrados (juízes e procuradores), coordenados pelo professor universitário Paulo Pinto de Albuquerque e pelo procurador José Branco.
Leis Penais Extravagantes é a designação técnica para as leis que estão fora do Código Penal, padecem de vícios e são incompatíveis com outras existentes. Por isso são ineficazes, sendo necessário revogá-las ou proceder à sua actualização. Como paradigma das falhas, cita-se o caso do abate do lobo ibérico, criminalizado pela Lei nº90/88, que não prevê qualquer pena. Em contrapartida, crimes graves como o terrorismo estão fora do Código Penal.

VALE DO TUA – Universo virginal de um Reino Maravilhoso

De acordo com o Anúncio nº10853/2010, publicado no Diário da República 2ª série do dia 11 de Novembro, o processo de classificação da linha do Tua como património de interesse nacional foi arquivado, com base num parecer da Secção do Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura. Desconhece-se a fundamentação do parecer. Presume-se, no entanto, que os senhores conselheiros nunca visitaram a região, pois se a tivessem visitado, enxergariam que este “excesso de natureza”* além de ser do interesse nacional, satisfaz em simultâneos vários dos critérios necessários para a classificação como património da humanidade, e não seria de esperar outra coisa, visto que a linha do Tua desagua na linha do Douro, a escassas centenas de metros do local onde se prevê construir a barragem do Tua, numa área, classificada há mais de 10 anos pela UNESCO, justamente, como Património da Humanidade.
Douro e Tua irmanam-se numa mesma realidade desmesurada, na solenidade da paisagem, num “nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir a céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição”, nos costumes, nas crenças, no clima, na rudeza e integridade das gentes. O homem que desbravou os socalcos do Douro é o mesmo que, calço a calço, susteve nesgas de terra, onde estacas de oliveira medram e alumiam a sua árdua existência, cavou os cantos onde laranjeiras perfumam a primavera, construiu uma geia donde brota o néctar que aqui também é vinho fino; é o mesmo que, corajosamente, palmo a palmo, metro a metro rasgou precipícios, transpôs abismos e furou penedos para construir os túneis e assentar os carris que o haviam de ligar ao progresso; é o mesmo que, destemidamente, lavrou um sulco ondulante num despenhadeiro de pedras e laijões, discreta e genuína obra de engenharia, perfeitamente integrada naquele “universo virginal”, naquela “paisagem robusta solene e profunda”, obra conjunta do homem e da natureza, que Miguel Torga sublimemente pintou. Aqui, porém, o degredo é ainda mais espinhoso que no Douro: os murtórios são fragas a pique onde nem as cabras se equilibram, o xisto é granito rude e duro e o rio, selvagem, ainda “corre magoado de cachão em cachão” num zoar permanente que, no Inverno é medonho, mesmo para os mais afoitos.
O vale do Tua, lugar em que homem e natureza se confundem, desde tempos ancestrais, é manifestamente um sítio de beleza natural e estética de excepcional importância, em que a forma genial e harmoniosa como a linha férrea foi integrada na paisagem ilustra a significativa importância que, embora tardiamente, a máquina a vapor e o comboio tiveram na história social e económica de Tras-os-Montes, na metade inicial do século XX. É um sítio em que as pedras evocam memórias longínquas, ainda intactas, de rituais pré-históricos, de povoados visigóticos, mouras encantadas, romanos diligentes e cristãos destemidos.
Por estas e por outras razões, os senhores conselheiros deveriam conhecer ou pelo menos, indagar no local aquilo que importaria conhecer para, serena e sabiamente emitirem o seu douto parecer. Se se tivessem dado ao deleite de visitar este vale e as suas gentes, seguramente, aconchegariam o corpo e a alma e enriqueceriam o ego de sabedorias ancestrais, que é coisa que os senhores conselheiros muito prezam. Mas ainda o podem fazer, depressa, antes que a barragem lhes troque as voltas e lhes aniquile este “universo virginal”. Batam à porta deste “reino maravilhoso” em S. Mamede de Ribatua, saboreiem um naco de bola de carne, acompanhada com as suas afamadas laranjas – de manhã são ouro – visitem o pelourinho e saiam pela ponte romana, contemplem a imponência da paisagem na Penadaia, em que rio, linha e fragas são, ao mesmo tempo, inferno purgatório e paraíso, visitem o caixão dos mouros, os castelos de Safres e dos Barcos, na ténue linha que separava a fronteira entre cristãos e mouros, desçam ao Amieiro, um presépio de casas, oliveiras, laranjeiras e sobreirais, comam e um doce de figos em Carlão, onde nas fragas estão impressos lagares do tempo dos romanos. Depois, atravessem o rio, deliciem-se com um copo de vinho fino, nas margens bucólicas de Brunheda, regenerem o corpo com um banho nas termas de S. Lourenço, deleitem-se com uma alheira estaladiça no Pombal, que é lugar de vinho de primeira e desçam a linha até ao Tua. Apreciem as obras de arte da engenharia oitocentista – viadutos, túneis e muros, suspensos no abismo das fragas más e, mesmo que não tenham a sorte de poderem admirar uma lontra, mirem as nasseiras, onde, antes das barragens do Douro, se apanhavam lampreias, imaginem o gemido das mós, nos moinhos abandonados, inebriem-se com o perfume de carquejas, bela luzes, alecrins e rosmanos que, “como manjericos à janela”, prodigiosamente, brotam de fragas, aparentemente estéreis, e contemplem a majestade dos sobreiros centenários, que, nesta fortaleza de pedras, guardam a linha e o rio. Se tiverem tempo relancem os olhos pelas encostas e, encarrapitados nos abismos descubram antigos armazéns de vinho, abandonados, ainda com lagariça, peso e restos da rabadeira onde encastrava a trave da prensa. Chegados ao Tua, como recompensa, um pratinho de peixes do rio, com pão de Favaios e vinho da Ameda e, claro, mais um cálice de vinho fino, daquele que no estrangeiro apelidam de vinho do Porto, mas que tem berço neste “reino maravilhoso”, prosa de Miguel Torga, de leitura recomendada aos senhores conselheiros.
Por fim, passem pelos adros das igrejas, no fim da missa, e falem, mas, sobretudo, ouçam, ouçam as gentes da terra e então verão que ainda há reinos maravilhosos que merecem ser estudados, conhecidos, acarinhado e preservados: “O que é preciso, para os ver é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração depois não hesite.”
Depois, sim, elaborem o vosso douto parecer.
Texto: João Zimbreiro, com a ajuda de Miguel Torga




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*Alexandre Herculano

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Cultura: Aidos sente impotência perante a máquina

O Director-Geral das Artes, João Aidos, em funções desde Julho deste ano, disse a Tiago Costa do "Público" que sente uma grande impotência perante uma máquina difícil de contrariar.
Aidos diz que, se saísse neste momento, era um descalabro e tudo seria pior. Estou num processo de defesa, a tentar encontrar outros modos de financiamento e resolver casos pendentes, consciente de que o trabalho é muito. Há uma falta de estratégia política do primeiro-ministro. A estratégia foi esgotada pelo orçamento. Não é possível ter uma estratégia sem um orçamento mínimo, disse.

Ligação para a entrevista completa: http://ipsilon.publico.pt/artes/texto.aspx?id=270384

domingo, 28 de novembro de 2010

Wikileaks divulga mais de 250 mil documentos reservados de embaixadas americanas

Mais de 250 mil de documentos secretos de embaixadas norte-americanas sobre "todos os grandes temas" mundiais estão a ser divulgados pelo Wikileaks, na sequência da videoconferência, com os jornalistas do fundador da organização Julian Assange.
Entretanto, a Wikileaks anunciou hoje, através do  Facebook e do  Twitter que está a ser vítima de um ataque informático, mas que isso não vai impedir a prevista divulgação de documentos secretos norte-americanos.
A administração norte-americana já fez saber que esta divulgação pode colocar muitas vidas em risco, ameaçar operações militares e prejudicar as relações dos Estados Unidos com os seus aliados.


Pode acompanhar a divulgação dos documentos secretos nos sites de El País, Le Monde, Der Spiegel, The Guardian e The New York Times .


+ 1,7 milhões mal gastos

Os seis blindados Cougar*, tão necessários para a segurança da cimeira da NATO (!), começaram a chegar, há oito dias, e a sua entrega, pelo fornecedor canadiano, vai ocorrer já depois do evento. A justificação da urgência para o procedimento por ajuste directo*, tal como a própria necessidade da aquisição, foram tão pouco convincentes, que Carlos Moreno não teria hesitado em inscrever este caso no seu livro sobre a má gestão dos dinheiros públicos.
Há um claro desperdício de dinheiro, pois falhou o objectivo principal da compra do material: a cimeira e provou-se que não havia razão para tanta pressa. O ajuste directo deve ser uma excepção, já que é um processo pouco transparente. O funcionamento normal do mercado é a única garantia para que o Estado realize o melhor negócio, são palavras de Carlos Moreno, a propósito deste caso.
Mais uma despesa, a ser paga por todos nós, que exige uma explicação pública por parte da entidade adjudicante (Governo Civil de Lisboa e/ou do ministro da Administração Interna, que o tutela). Se muitos dos nossos peritos em segurança manifestam dúvidas sobre a utilidade deste "investimento", mesmo para utilizar no Afeganistão ou noutras missões  no estrangeiro, os portugueses têm direito a saber como o Estado gasta o seu dinheiro.


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* Produzidos pelos americanos das Force Protection Industries .
**Através da plataforma electrónica VortalGOV .

Sugestão: Leia o nosso post Carlos Moreno conta-nos como o Estado gasta o nosso dinheiro

sábado, 27 de novembro de 2010

Aeroporto de Beja: Tribunal de Contas não percebe o que é a realidade ?

Há cerca de um mês já tínhamos perguntado, Aeroporto de Beja: mais um investimento ruinoso do Estado ? . Veio agora, o Tribunal de Contas (TC), num relatório de auditoria vindo a público ontem, chamar a atenção para a falta de rigor na gestão do investimento, ao afirmar que o empreendimento pode vir a custar 74 milhões de euros quando tinha sido previsto investir menos de metade (34 milhões).
Actualmente o encargo financeiro já está nos 35,4 milhões de euros, somando os custos de expropriações de terrenos, empreitadas, aquisições diversas de bens e serviços e despesas de funcionamento da Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja, SA (EDAB).
No relatório do TC, estima-se que venha a ser necessário mais 39 milhões para que o aeroporto fique pronto a funcionar e realça-se que as três empreitadas de construção do aeroporto custaram 26,5 milhões (mais 2,3 milhões que o valor de adjudicação de 24,2 milhões).
Atrasos e mais atrasos na execução das empreitadas e na abertura do aeroporto (que estava prevista para 2008), estão na origem de mais uma derrapagem que poderia ter sido evitada.
Para além da derrapagem, nesta fase, ainda muita gente se questiona sobre a rentabiidade e a utilidade do projecto, numa altura de crise, em que os investimentos têm que ser necessáriamente mais ponderados e selectivos.

Em contraponto ao relatório do TC, (re)veja alguns sofismas...



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