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terça-feira, 7 de outubro de 2014

DESCULPEM, O MINISTRO CHUMBOU A MATEMÁTICA

Segundo uma das leis de Murphy se um trabalho saíu errado, qualquer tentativa para melhorá-lo vai torná-lo pior...

sexta-feira, 16 de maio de 2014

VÍDEOS PARA O ENSINO

A web é uma fonte inesgotável de recursos para o ensino. Se pretender aceder a vídeos interessantes sobre matemática, física, química, biologia, língua portuguesa... aceda ao canal educação do YouTube, aonde são disponibilizados cerca de 10 mil vídeos em português.
Se lhe interessar copiar algum destes vídeos para o seu computador, pode recorrer, por exemplo, ao savedeo, colocando o endereço do vídeo e escolhendo o formato pretendido. O savedeo pode recolher, ainda, vídeos do Vimeo, do Facebook, do Flickr, do Vine, etc 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

PAÍSES ASIÁTICOS À FRENTE NA EDUCAÇÃO

Os países asiáticos vão à frente no último relatório PISA elaborado pela OCDE, que avalia os conhecimentos e competências dos estudantes de 15 anos. Portugal aparece com a pontuação 487 (30º) na matemática e 488 na leitura (31º). Compare com outros países aqui.

Ligação: Asian countries top OECD’s latest PISA survey on state of global education [OECD].

domingo, 30 de junho de 2013

QUINTA DO TERREIRO DO PAÇO

Abriguem-se e bebam água, dizia o locutor. Ao calor, animais e plantas desceram ao Terreiro do Paço para os mouros de Lisboa verem como são a fauna e a flora, antes de chegarem ao "Continente".
Ficaram mesmo à porta do ministério da Agricultura. Que o da Educação fica bem mais lá para cima, na 5 de Outubro. Mas traz-nos à memória a carta que Guerra Junqueiro dirigiu ao então ministro da mesma pasta, Sr. Sampaio, em que escreveu que o País só entrará no verdadeiro caminho da regeneração, quando a universidade, em vez de bacharéis, começar a dar repolhos e propôs que as escolas sejam transformadas em hortas, para recreio do público e utilidade do mesmo.
Finalmente, já no século XXI, estão a cumprir-se as propostas do escritor trasmontano, enriquecidas com o show do Tony Carreira.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

O EXEMPLO ÉTICO DO BOM ESTUDANTE

Em Barcelos, numa cerimónia tradicional do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) em que, para além das cartas de curso a estudantes de mestrado, licenciatura e especialização tecnológica, foram entregues bolsas de mérito aos seis estudantes com melhor aproveitamento escolar, tendo um deles - que quis manter o anonimato - doado a sua bolsa de 2500 euros ao Fundo de Emergência do IPCA. 
Este Fundo de Emergência, conforme explicou o director João Carvalho, foi criado em maio de 2012, para possibilitar aos estudantes mais carenciados, nomeadamente aqueles que não são enquadráveis no processo de atribuição de bolsa de estudo, tenham apoios diversos, designadamente no que se refere ao acesso gratuito à cantina, ao bar, serviço de fotocópias, passe de transporte público e comparticipação em despesas de alojamento e de transporte próprio.

sábado, 20 de abril de 2013

MENOS 12 MIL PROFESSORES EM 2014

A redução de contratos de trabalhadores em funções públicas está em marcha. De acordo com a Portaria nº156-A/2013, de ontem, a partir do próximo ano, haverá menos 12 mil professores. O Agrupamento de Escolas da Trofa é o que mais vagas perde (101), enquanto a Escola Secundária de Paços de Ferreira vai ter 15 novos lugares no quadro.

Ligação: Suplemento Diário da República I Série nº77, 19 Abril.

terça-feira, 9 de abril de 2013

GOVERNANTE COM VISÃO DE FUTURO

A indignação e o protesto dos cidadãos corre cada vez mais pela web. Conferimos o despacho (publicado no Diário da República) e aqui reproduzimos este e-mail, enviado por um dos nossos leitores. Sobre estas nomeações de técnicos juniores, achamos que  os governantes estão a ter uma visão de futuro: a  dívida pública portuguesa vai perdurar por décadas, pelo que é avisado que - não havendo solução económica à vista para a dívida - o ministério da educação comece já na pré-primária a educação e preparação dos cidadãos (e futuros governantes) para a austeridade dos anos vindouros e para as negociações com as próximas troikas.

Muito boas noites. Como português, e exercendo o meu dever de cidadania, não posso deixar de enviar semelhantes Despachos publicados hoje mesmo em DR.
Sou técnico superior no Ministério das Finanças em funções públicas há mais de 30 anos, e fico sem palavras ao ver estes despachos.
Tendo acompanhado de perto as várias intervenções do Sr. jornalista José Gomes Ferreira, (que chama as coisas pelo nome), gostaria se fosse possível dar a conhecer a todos portugueses geral, designadamente aos novos licenciados, mas que infelizmente serão demasiado idosos para estes cargos, os Despachos que junto em anexo de 2 técnicos de 21 e 22 anos que são nomeados exercer as funções de acompanhamento da execução de medidas do memorando conjunto com a União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, na ESAME.) da TROIKA.

Gabinete do Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, o tal Carlos Moedas 
Despacho n.º 4109/2013 
Dados pessoais, habilitações académicas e formação profissional Tiago Miguel Moreira Ramalho, 21 anos, concluiu em 2012 a Licenciatura… (…designo como técnico especialista o licenciado João Miguel Agra Vasconcelos Leal para exercer as funções de acompanhamento da execução de medidas do memorando conjunto com a União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, na ESAME.) Nota curricular …na Universidade Católica Portuguesa, mais concretamente na Católica -Lisbon School of Business and Economics, em inglês, é mais “in”... E fez o secundário em 2008... Experiência Profissional (do dito cujo) Entre junho e agosto de 2011, João Miguel Leal realizou um estágio de verão no Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e Emprego. Anteriormente, em junho de 2009, já havia efetuado um estágio de verão no departamento de Marketing e Vendas da Empresa José Maria da Fonseca. São admiráveis os Curriculum Vitae destas criaturas, só me leva a concluir uma coisa… tenho que dizer ao meu filho para frequentar a Universidade de Verão do PSD/CDS, aproveitando o sol e a praia, correndo o risco que no final das férias vir como doutorado e ministro. O melhor é ler os despachos…. Quantos cartazes afixaram? E quem serão os papás? É este o país que temos…

Ligação: Despacho nº4109/2013 (DR 2ª Série, nº56, de 20 de Março).

terça-feira, 9 de outubro de 2012

POESIA ADULTA RECOMENDADA A CRIANÇAS

A escritora Alice Vieira manifestou a sua indignação no Facebook, por ter sido incluída a sua obra poética O que Dói às Aves no Plano Nacional de Leitura (PNL) para crianças de sete anos.
A obra - que, entretanto, já foi retirada do PNL - terá sido escolhida pelo título e não pelo conteúdo, que são poemas de amor para adultos.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

EDUCAÇÃO NACIONAL A SORRIR

A educação e as escolas são sempre uma matéria importante na vida do País. Depois das caras remodelações das escolas secundárias, da novela das habilitações de Sócrates eda estória das habilitações de Miguel Relvas, faça um intervalo e veja esta paródia aos exames nacionais.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

SAIU A NOVA LEI ORGÂNICA DO MEC

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) sucedeu ao Ministério da Educação e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, pelo que são vários os serviços e organismos agora objecto de extinção, fusão ou reestruturação. Segundo o comunicado oficial, a nova orgânica, definida no âmbito do PREMAC*, permite poupar anualmente cerca de 6 milhões de euros e reduzir em 41 por centoo número de dirigentes intermédios e superiores.
A nova orgânica está definida no Decreto-Lei Nº125/2011, de hoje, e passa para apenas sete os serviços da Administração directa do Estado do MEC: Secretaria-Geral, Inspecção-Geral da Educação e Ciência, Direcção-Geral do Ensino Superior, Direcção-Geral da Administração Escolar, Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência e a Direcção-Geral de Planeamento e Gestão Financeira.

_________________
*Plano de Redução e Melhoria da Administração Central.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

CRATO APRESENTA REVISÃO CURRICULAR

Na SIC N, Nuno Crato apresentou a Mário Crespo a revisão curricular. Crato anunciou proposta de revisão da estrutura curricular do ensino secundário. História, Geografia,Ciências e Físico Química terão mais horas lectivas. A educação é fundamental para o País. É urgente acabar com o eduquês.(Re)veja os argumentos do ministro da Educação. 

Ligações: Um pioneiro antieduquês; O "eduquês" ou as "inovações" na educação .

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Educação financeira lusa é deficiente

Domitília dos Santos trabalha em Wall Street, há mais de 25 anos, como gestora de fortunas e diz que os portugueses confiam demasiado nos bancos e são desleixados na gestão das suas economias. De acordo com o último inquérito do Banco de Portugal, apenas uma pequena parte sabe o que significam termos como "spread" ou "Euribor”.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O ESTADO DA EDUCAÇÃO

O Marco faz 16 anos hoje (acha ele). O Marco está no 8º ano de escolaridade, é analfabeto e é, também, o reflexo do Estado da Educação em Portugal...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

QUANDO O CRIME COMPENSA

Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da Educação de Sócrates e a face mais visível do eduquês, teve a sua recompensa: a presidência do Conselho Executivo da FLAD.
Para quem ajudou a destruir a educação no nosso País e está acusada de prevaricação, não está mau...

sábado, 20 de agosto de 2011

Nuno Crato: matemático por vocação e tradição

Nuno Crato pertence a uma família de matemáticos, tendo sido agraciado, em 2008, com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique. O actual ministro da Educação, ainda não se imaginava na pele de ministro, quando foi entrvistado, em 28 de Junho deste ano, por Adelaide de Sousa, do programa Entre Nós, (SIC Mulher), em que falou do seu percurso pessoal. (Re)veja.
   

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

UM PIONEIRO ANTIEDUQUÊS

Em artigo de opinião que subscreve no último Expresso, Guilherme Valente deixa-nos a esperança de que nem só da praga do “eduquês” vive a política de educação do PS, como deixa transparecer a parte final do artigo, que reproduzimos. 

Tive acesso agora a uma entrevista em que um grande intelectual, que teve a coragem necessária para ser livre, antecipa a análise da praga e as confirmadas previsões sobre os seus efeitos na escola e no futuro de Portugal: Mário Sottomayor Cardia. Alguns breves excertos:

Aceitei participar do Governo porque era uma tarefa difícil, em que se jogava, e jogou, o destino do pluralismo na cultura portuguesa e a credibilidade e utilidade do ensino público. É esta última aposta que me afasta dos titulares do Ministério desde pelo menos 1985, com a excepção de Manuela Ferreira Leite. (…) Estão a destruir o que tanto custou a reedificar naqueles anos longínquos(…). Sabotar o ensino público - desqualificando-o em nome da democratização, da ausência de selectividade escolar, da pedagogia não directiva, da proibição de memorizar, mesmo da dispensa de aprendizagem da tabuada, da proclamação do prazer como única motivação do saber e do pensar – é, directa ou indirectamente, uma forma extrema e repugnante de liquidação do sistema público de ensino. Respeitando e disciplinando o ensino privado (…), foi a defesa do ensino público que inalteravelmente me moveu e animou. A democracia directa é sempre (ou quase sempre) a antecâmara (ou o disfarce institucional) da ditadura. A democracia directa ignora os direitos individuais. É o que hoje penso. Foi o que na altura percebi, independentemente de teorizações politologicas a que ainda não tivera acesso.
“Fundamentalista antieduquês”, foi como uma tão inocente ex-secretária de Estado, Ana Benavente – pasme-se! – se referiu ao atual ministro.
Fundamentalista Nuno Crato nunca será. Antieduquês estou certo que continuará a ser. Na honrosa companhia de Mário Sottomayor Cardia. Como o país precisa e a esmagadora maioria dos professores espera.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

MINISTÉRIO NÃO É O DONO DA EDUCAÇÃO

Nuno Crato foi a vedeta da manhã do debate do programa de governo. Em estilo directo, simples e pragmático defendeu que a avaliação não pode ser feita com provas que não se sabe exactamente o que vão avaliar, que mudam o grau de dificuldade de um ano para o outro e que não se centram no essencial, reflectindo antes os preconceitos ideológicos de quem as concebe.
Contestando a ideia de que para facilitar a vida aos filhos dos pobres é preciso diminuir exigência, Crato dissse que pensava exactamente o contrário, considerando que, se não houver o mesmo grau de exigência para todos, são os filhos dos mais ricos que têm hipóteses alternativas.


domingo, 19 de junho de 2011

A EDUCAÇÃO SEGUNDO NUNO CRATO

Nuno Crato diz que é necessário que haja mais exames e que esses exames sejam credíveis. E que a avaliação deve ser independente e não deve ser usada como arma política. Por outro lado, é necessário valorizar os professores e ter presente que o Ministério não é o dono da educação. Será que o Nuno Crato vai conseguir acabar com o "eduquês" ?


Ligação: O "eduquês" ou as "inovações" na educação

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Uma Redacção Exemplar

Subordinado ao título "Texto de Aluna da Faculdade de Letras" o blogue Triplo II (do sítio literário Triplo V) divulgou, ontem, o seguinte texto que tomamos a liberdade de transcrever:

Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.
——
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.
Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

100 escolas para 100 anos de República


Fazia parte do programa oficial, das comemorações do centenário da República, a inauguração de 100 escolas em simultâneo nacional, precisamente às 12:00 horas do dia 5 de Outubro de 2010.

À primeira vista - admitindo a sua necessidade técnica - a reabilitação ou remodelação de escolas seria um investimento políticamente correcto e adequado à situação económico-financeira do país, em contraponto com obras megalómanas, como a Rede de Alta Velocidade, a terceira travessia do Tejo e o novo aeroporto. Essa unânimidade, entre o governo e a oposição, transpareceu dos convites para as inaugurações e dos elogios que, na oportunidade, alguns mediáticos políticos oposicionistas deixaram fugir, como se fora um desabafo, de que no socratismo nem tudo é excessivamente mau.

A questão fundamental que se coloca, sobretudo num país em crise, é se o investimento é reprodutivo ou se se trata de obras de custo elevado face ao benefício produzido. Por isso, achamos estranho que ninguém tivesse perguntado quanto custaram e também tivesse indagado se o número de escolas intervencionadas reflectia uma mera acção de marketing político*, de equiparar quantidades de anos e de escolas, ou se se fundamentava em critérios técnicos de dar prioridade à reabilitação dos edifícios mais necessitados.

A aplicação de critérios técnicos, a elaboração de projectos e o lançamento das empreitadas esteve a cargo da empresa deficitária** Parque Escolar, E.P.E, criada em 2007 e detida a 100% pelo Estado (através da Direcção Geral do Tesouro e Finanças), que tem por objecto o planeamento, gestão, desenvolvimento e execução do programa de modernização da rede pública de escolas secundárias e outras afectas ao Ministério da Educação.

Só que, com apenas duas direcções técnicas (uma de projectos e outra de manutenção e conservação), sem antecedentes e sem know-how comparável à extinta Direcção-Geral das Construções Escolares (DGCE)***, temos sérias dúvidas que esta estrutura empresarial estatal tenha capacidade técnica e administrativa para cumprir o seu objecto social.

Com efeito, não é por se substituir um organismo da administração central (prestigiado e com experiência e historial em construções escolares), por uma empresa pública recente, que se agilizam processos, se aprende a reabilitar**** e se inventam modelos de gestão, à margem da experiência e da capacidade técnica neste tipo de edifícios. Convém ter presente que a construção, reabilitação, remodelação e conservação é específica do tipo de edifícação, diferindo entre escolas, hospitais, tribunais, esquadras de polícia, quartéis, etc. e exigindo qualificações e experiências técnicas diferentes de engenheiros, arquitectos e outros profissionais. Ignorar isto, significa arriscar-se, pelo caminho mais directo, ao fracasso e a aumentar a probabilidade de erro, tornando o investimento mais caro.

E, estando a tal Parque Escolar, E.P.E, sujeita ao regime jurídico da contratação pública, seria interessante conhecer em pormenor os procedimentos que foram levados a efeito em relação às adjudicações de estudos e projectos, de empreitadas, de coordenação de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, de controlo de qualidade (através de planos de inspecção e ensaios), de controlo ambiental, de certificação energética e de fiscalização de obras (que deveria ser efectuada pelo dono de obra).

É que os regimes especiais de contratação, as adjudicações por ajuste directo, com consulta a uma única firma - independentemente de poderem ter cobertura legal -, para além de propiciarem o favorecimento ilícito, também não favorecem a concorrência, ocasionando, por via disso, valores de contratação mais elevados.

Outra questão importante, relacionada com as intervenções efectuadas, é a de saber se estas não vão ocasionar "a posteriori" despesas de manutenção demasiado elevadas, como acontece, sobretudo, com as instalações especiais (ascensores, ares condicionados, ventilação, aquecimento, detecção de incêndios, segurança contra intrusão, equipamentos laboratoriais, redes informáticas, etc), cujos contratos de assistência técnica oneram de modo permanente a manutenção e conservação dos edifícios.

Não basta fazer investimentos apenas numa perspectiva anti-imobilismo*****: é preciso que as intervenções correspondentes sejam viáveis economicamente. E tenham enquadramento político e planeamento estratégico no tempo.

Quando a definição de objectivos é a resposta a slogans e a estímulos de mera e permanente estratégia eleitoralista, isso significa que se ignorou a ética do serviço público e se abusou do mandato popular, prevertendo-se ilegítimamente os limites do poder.

Goebbels não faria melhor.

________________________
*"É uma homenagem que prestamos a um dos ideais republicanos e uma das iniciativas da I República de alargamento da instrução e é a melhor forma de o país, que está a comemorar o seu centenário da República, valorizar esse sinalizando a sua aposta na educação", Pedro Silva Pereira, ministro da Presidência, dixit.
**Resultados do exercício negativos: 2007: -566.609 €; 2008: -1.629.658 €; 2009: ? .
***Da DGCE, em relação aos edifícios escolares e da Direcção Geral do Equipamento Escolar, em relação aos equipamentos escolares.
****Das 477 escolas, 22,6 % foram construídas a partir do séc. XIX (sendo algumas edifícios classificados) e as restantes foram construídas depois de 1970.
*****O princípio da melhoria incontestável apela ao equilíbrio e ao bom senso e diz-nos que só vale a pena fazer uma qualquer alteração, quando estivermos absolutamente certos que o novo é melhor que o que já estava. 

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