quarta-feira, 29 de agosto de 2007

VENHAM 29.000 EUROS E "APRÈS MOI LE DÉLUGE"

A extinção da DGEMN, 29.000 euros no bolso e o despacho nº17/GDG/2007, de 24 de Agosto, com agradecimentos de circunstância, são o epílogo do consulado de 17 longos anos de Vasco Martins Costa como director-geral.
Tal como a falência de uma empresa, a extinção de um organismo com 78 anos constitui inevitávelmente a falência da gestão e o culminar da incompetência em dirigir, formar, modernizar e organizar.
Óbviamente que qualquer Governo responsável não "brinca" a extinguir organismos. Havia razões muito claras e objectivas para extinguir.
A situação actual da DGEMN era insustentável. Os recentes casos do projecto (não analisado) da Casa Pia, das microestacas do Mosteiro de Santos-o-Novo são o síndroma de uma doença incurável.
Vasco Costa não se pode queixar de não ter escolhido, como directores, homens da sua confiança. Só que boa parte deles não tinha formação nem experiência na reparação e reabilitação de edifícios, muito menos de edifícios classificados. Eram oriundos de organismos que superintendiam em estradas, portos... ou, na melhor das hipóteses, na construção de habitação social.
Em qualquer dos casos, os dirigentes escolhidos por Costa - como se verificou - vinham só para controlar. A maior parte, trabalhar não era com eles. Entravam com a mentalidade de capatazes e tinham muito menos experiência e saber que os técnicos da casa.
Sem directores competentes, sem formação, não há serviços competentes. E os poucos técnicos competentes desanimavam e passavam, sem se dar conta, a desleixar-se e a deixar-se "absorver" pelo ambiente "liberal" dos serviços. O controlo obsessivo e exclusivo de férias, faltas e deslocações não leva a lado nenhum. Tem que haver uma gestão por objectivos.
O célebre despacho das picas e a ficha de tarefas diárias de cada funcionário (inventada por Vasco Costa) são uma vergonha e constituem um libelo acusatório à sua capacidade de gestão e à sua sanidade mental. Pretendia-se controlar o funcionario, saber o que estava a fazer, mas não interessava se estava a fazer bem e em tempo útil.
A asserção, que V. Costa repetia nas reuniões de funcionários, de que os técnicos da DGEMN eram os melhores, era falaciosa e hipócrita. Então era assim tão bons e era preciso ir buscar fora uns capatazes da sua confiança para os controlar ?
O Forte de Sacavém e a incursão no sector dos arquivos foi um desastre. A antítese entre o tratamento privilegiado do Forte e da restante Direcção-Geral era evidente. Para uns havia recursos infindáveis, para os restantes miséria e ostracismo.
O "show off", o marketing da imagem pessoal e a revista também não deram resultado. Gastaram-se rios de dinheiro. Muita gente ficou curiosa em saber como se sustentam "elefantes brancos".
Vasco Costa e alguns dos seus acólitos foram uns bons clientes das agências de viagens. "Globetrotter" inveterado à custa do erário público, com várias viagens anuais - principalmente para Roma -, Vasco Costa não teve tempo de gozar 149 dias de férias durante o seu consulado.
As viagens dão muito trabalho e estão cheias de riscos. Veja-se os casos recentes dos furacões no Golfo do Mexico ou os desastres como o de Cangonhas. Depois, mesmo na praia, o enfrentar as ondas do mar é penoso e pode-se morrer afogado.
Pensamos que os tais 149 dias de "férias" não gozados não têm nada a ver com um despacho de legitimidade duvidosa, de 2 de Agosto de 2007, publicado no Diário da República, de 20 de Agosto 2007.
Então, só agora se concui que há chefes de repartição em condições de serem reclassificados como técnicos superiores de 1ª classe?
Ficamos a pensar nos restantes chefes de repartição de mérito indiscutível - alguns que até já se reformaram - , e que nem umas palavras circunstanciais de reconhecimento mereceram.
Tivemos Vasco Costa igual a si próprio, até ao fim.


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