quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Património: O vandalismo de Estado ?

Se houvesse dúvidas sobre a "pobreza" da actual política cultural e a "competência" dos organismos do Estado que têm por missão preservar o património cultural, as obras na Sé documentadas por O Carmo e a Trindade e acompanhadas pelo Cidadania Lx, seriam testemunho suficiente da pouca vergonha em que se transformou a nossa Cultura.

Extintos o IPPAR e a DGEMN, os novos organismos IGESPAR e Direcções Regionais de Cultura são o exemplo acabado da leviandade com que é tratada a política cultural nacional.

O socialista Manuel Maria Carrilho apresentou, em Março deste ano, uma posição contundente. Sob o título "Carrilho destrói política cultural", Cristina Figueiredo apresenta no "Expresso" de 2009.03.21, a posição do ex-ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho num texto para discussão interna no seu partido. Carrilho lamenta que a política cultural actual se tenha tornado "cada vez mais invisível, ilegível e incompreensível, ameaçando fazer dos anos 2005/2009 uma legislatura perdida para Cultura" e sublinha que "a cultura pode dar uma importante contribuição na resposta à crise que o país atravessa" , crise essa que não é apenas financeira, dizemos nós.

A crise financeira "de modo nenhum justifica o estado de abandono a que a cultura tem sido votada, seja o desinvestimento de que tem sido objecto e que pode provocar - e enfatizo este ponto, uma vez que se trata de uma ameaça real - danos irreversíveis", diz o actual embaixador português na UNESCO.
Carrilho tem toda a razão. Acescente-se (também) a inoperância e o caos estrutural actualmente existente nos organismos que sucederam à DGEMN e ao IPPAR, na sequência do PRACE. Basta ler as leis orgânicas e analisar o perfil técnico dos seus dirigentes, mesmo dos intermédios. Como se explica o mamarracho construído na Igreja de Santos-O-Novo (veja aqui) ?
São dignas de registo estas opiniões:
"Nem a cavaquização do país conseguiu ir tão longe como a socratização. Isto é um quarto vazio sem portas nem janelas", diz Pedro Abrunhosa.
"Sócrates é o negativo de Guterres: um primeiro-ministro anticultura, antieducação", acrescenta Ricardo Pais.
A política cultural para a nova legislatura e que consta das páginas 58 a 60 do Programa de Governo PS, aponta para medidas genéricas e para parcerias com os cidadãos e as empresas, à semelhança do (mais que duvidoso, dizemos nós) Cheque-Obra. Quanto à mais que necessária restruturação e operacionalização dos serviços NADA. As competências do IGESPAR e das Direcções Regionais de Cultura são uma autêntica nebulosa, com o IGESPAR a ocupar-se de obras que não são da sua competência (como a Biblioteca Nacional em Lisboa e o centro histórico de Cascais), e a DRC de Lisboa e Vale do Tejo a fazer obras sem projecto e a pagá-las antes de executadas ao empreiteiro (como no Arco da Rua Augusta).



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