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domingo, 15 de dezembro de 2013

AFINAL, QUANTOS DOCUMENTOS LEVOU SNOWDEN?

Tem-se dito que Edward Snowden conseguiu roubar 1,7 milhões de documentos da NSA, mas este número é pouco credível.
Inicialmente, Glenn Greenwald disse que ele e a cineasta Laura Poitras receberam 10 mil ficheiros de Snowden, em Hong Kong, e o chefe da NSA, Keith Alexander, disse, por outro lado, que ele terá levado nada menos de 200 mil. Recentemente, a NSA declarou à CBS que Snowden terá roubado 1,7 milhões de documentos classificados, tendo facultado 200 mil aos jornalistas com quem se encontrou em Hong Kong, e terá ficado, ainda, com acesso a 1,5 milhões.
As implicações da última parte desta declaração são especialmente preocupantes, uma vez que o ex-colaborador da NSA tem vivido sob protecção do FSB russo, desde que estendeu a mão ao Kremlin em Hong Kong e chegou a Moscovo a 23 de Junho. 
Por seu lado, Snowden afirmou que todos os documentos classificados retirados dos sistemas internos da NSA tinham sido dados aos jornalistas que estiveram com ele em Hong Kong, mas essa asserção não faz sentido.
Snowden disse em Hong Kong que foi trabalhar para a Booz Allen com o único objectivo de conseguir obter provas da espionagem massiva que estava a ser feita pelos EUA e revelou o encontro de 10 de Junho entre Greenwald e Laura Poitras, ao South China Morning Post (SCMP), anunciando novas revelações para mais tarde.
Em Julho - enquanto Snowden vivia na zona de trânsito do aeroporto de Moscovo - Greenwald disse à Associated Press que Snowden estava literalmente na posse de milhares de documentos, cuja leitura levaria a conhecer exactamente o que a NSA faz e como faz, o que permitiria, por consequência, anular a vigilância e replicar. 
Todos estes pontos levam a uma situação de pesadelo para os EUA, e potencialmente para civis de outros países. 
Rick Ledgett, responsável pela task force pró-fuga de Snowden, disse à CBS que estaria a favor de uma garantia de amnistia se o resto dos dados pudesse estar em segurança e um ex-director da NSA (Bobby R. Inman) sugeriu mesmo que a agência os divulgasse todos. 
Russos e chineses - que já vivem sob vigilância opressiva - podem também ser vítimas da fuga de informações, se parte dos sistemas do maior aparato de espionagem de sempre forem usados contra eles. 
O dano potencial  vai muito para além da vigilância massiva dos cidadãos (o escopo declarado da fuga de Snowden). No mês passado The Washington Post relatou que as autoridades americanas acreditam que Snowden levou 30 mil documentos secretos que não tratam da vigilância da NSA, mas primordialmente de inteligência standard noutros países e de capacidade militar, incluindo sistemas de armamento. 
O ex-chefe da CIA e NSA, Michael Hayden, disse que perderia todo o respeito pelo Ministério da Segurança do Estado (chinês)  e pelo FSB (russo), se eles não tivessem já recolhido completamente o tesouro digital de Snowden. 
Neste ponto - mesmo que haja cepticismo em relação às declarações da NSA - é altura de levar a sério a promessa de mais revelações feita por Snowden, em Hong Kong. 
Afinal de contas, torna-se claro que ele manteve acesso aos arquivos da NSA e depois deixou-se embalar ao colo do Kremlin. 
  

sábado, 31 de agosto de 2013

DOCUMENTOS SENSÍVEIS PROVOCAM NERVOSISMO BRITÂNICO

Quando David Miranda (companheiro de G. Greenwald) foi detido, pelas autoridades britânicas, estava na posse de milhares de documentos oficiais altamente sensíveis. 
David Barrett do Daily Telegraph emitiu alguns tweets a pormenorizar a declaração feita na sexta-feira, por Oliver Robbins responsável pela coordenação da segurança e inteligência do Reino Unido (RU).

Robbins orientou a sua actuação com o propósito de proporcionar às brigadas de segurança nacional e à polícia mais tempo para investigar o material apreendido anteriormente, em 18 Agosto, tendo conseguido que o tribunal prorrogasse para sexta-feira o mandado que autorizava os agentes a continuarem a inspecção do material apreendido por razões de segurança.
Eis sete pontos pontos do depoimento de Robbins, que um especialista em segurança considerou extraordinariamente relevantes:
  • Robbins disse que o processo incluia 58 mil documentos que eram altamente classificados pela inteligência do RU;
  • Entre os documentos estava uma folha de papel com a senha de desencriptação;
  • A polícia desencriptou um ficheiro do disco rígido de Miranda com a referida senha;
  • O material continha informação pessoal que permitiria a identificação de colaboradores da inteligência britânica, incluindo a sua localização no estrangeiro;
  • Devido ao tamanho e ao escopo do material em análise, o governo britânico acredita que Edward Snowden se apoderou de uma enorme quantidade de documentação; 
  • No que pode ter um desenvolvimento particularmente complicado, o governo do RU teve que admitir que os dados recolhidos estão nas mãos de governos de países para os quais Snowden viajou: Hong Kong e Rússia. 
  • Robbins argumentou que é impossível a Greenwald ou a qualquer jornalista determinar que informação pode prejudicar a segurança nacional.
Robbins disse que o material apreendido contém a descrição de técnicas altamente sofisticadas que têm sido cruciais para salvar vidas em operações de contra-terrorismo e outras actividades de inteligência vitais para a segurança nacional do RU e que a exposição destes métodos seria altamente perigosa para a segurança nacional do RU e colocaria vidas em risco.
A declaração do governo reclama que os documentos na posse de Miranda, de Greenwald e do jornal The Guardian constituem uma ameaça à segurança nacional, particularmente porque Miranda transportava a senha juntamente com um conjunto de dispositivos electrónicos, aonde estavam armazenados documentos.
Uma regra básica é ter as senhas separadas dos ficheiros de computador ou contas a que dizem respeito. Oliver Robbins disse, num depoimento de 13 páginas, que a informação a que tinha tido acesso consistia inteiramente em material desapropriado de 58 mil documentos, altamente classificados pela inteligência do RU. 
Miranda foi preso no aeroporto de Heathrow com base numa lei anti-terrorista do RU, quando regressava a casa no Brasil. Demorou uma semana em Berlim a visitar a jornalista Laura Poultras, que esteve a trabalhar com Greenwald na publicação de um livro sobre as fugas de informação da NSA, provocadas por Edward Snowden.
Miranda procedeu judicialmente contra o governo, declarando que o fazia porque tinha a convicção que os seus direitos estavam a ser claramente violados pelas autoridades do RU e que as liberdades básicas de imprensa estavam agora ameaçadas pela tentativa de criminalização do trabalho legítimo de um jornalista.
Glenn Greenwald diz que o governo britânico é incapaz de indicar uma única história que tenha publicado em que tenha sido posta em causa a segurança nacional. A única motivação que têm apresentado são os interesses políticos ingleses e americanos à volta do mundo, que têm sido acautelados de uma forma ilegal, inconstitucional e verdadeiramente perigosa, através de vigilância massiva e ilegal de pessoas de todo o mundo, incluindo dos seus próprios cidadãos.
Para Greenwald, a acusação de que tem havido irresponsabilidade, relativamente às medidas de segurança em relação aos materiais em que trabalham, é negada quando os serviços oficiais admitem não ter conseguido aceder a qualquer documento apreendido por - segundo palavras de responsáveis do governo - estes materiais estarem "pesadamente" encriptados (heavily encrypted) .
Pelo seu lado, um responsável de The Guardian diz que o jornal ponderou cuidadosa e demoradamente cada decisão de publicação e que nos encontros havidos com funcionários governamentais, estes elogiaram a sua atitude responsável, pelo que o comportamento do governo não condiz com a retórica, parecendo apenas tentar justificar e explorar um desanimador esbatimento entre terrorismo e jornalismo.

domingo, 14 de julho de 2013

SNOWDEN PODE CAUSAR MAIS DANOS AOS EUA

Glenn Greenwald, o célebre cronista nova-iorquino do diário britânico "The Guardian", a quem Edward Snowden confiou as suas primeiras revelações sobre as operações de vigilância electrónica dos EUA, deu ontem uma entrevista, no Rio de Janeiro (onde reside). ao periódico argentino "La Nación". Em resposta à pergunta se o ex-colaborador da NSA tinha mais informação sobre o funcionamento do sistema de espionagem, disse:
Ed Snowden tem informação suficiente para causar mais danos ao governo dos EUA num minuto do que qualquer outra pessoa na história dos EUA. Todavia, este não é o objectivo dele. Ele pretende é por a descoberto aplicações informáticas que pessoas de todo o mundo utilizam sem saberem ao que se estão a expor e sem terem autorizado conscientemente a violação da sua privacidade. Tem uma quantidade enorme de documentos cuja divulgação seria prejudicial para o governo dos EUA. 

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