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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

MAIS UM ACROTÉRIO EM REABILITAÇÃO

Está em curso (finalmente) a reabilitação do acrotério do corpo central do Terreiro do Paço do lado da Rua do Ouro. A empreitada - que, para além da recuperação da verticalidade do acrotério, compreende a recuperação da balaustrada adjacente - foi lançada pelo Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça. IP e adjudicada à STAP, por 128.028,75 EUR + IVA, com prazo de execução de 60 dias. O projecto é do ex-DGEMN Bessa Pinto e a fiscalização da Ensaio Regra, Lda..
Recorde-se que a recuperação dos acrotérios começou ainda no tempo em que existia a DGEMN, com a reabilitação de 3 acrotérios: por cima do Café Martinho da Arcada, ala oriental e o da esquina da Rua do Ouro com a Rua do Arsenal. Ficaram por reabilitar os outros três (2 no edifício central e 1 na ala ocidental), pelo que o início desta obra é, sem dúvida, uma boa notícia.
Veja estas fotos que documentam os trabalhos nestes elementos típicos da Praça do Comércio.






Ligações: É importante pensar (e estudar!) a reabilitação ; Arco da Rua Augusta vai abrir ao público em Maio; Saudades da DGEMN .

domingo, 11 de agosto de 2013

UMA VISTA MONUMENTAL DE LISBOA

Era para abrir em Maio 2010, a quando da visita do papa, mas o tempo e os contratempos das reestruturações dos organismos da cultura não o permitiram. Após anos de reabilitação (e indefinição), a partir deste fim de semana, o Arco da Rua Augusta pode ser visitado, com passagem por um miradouro que oferece aos visitantes uma panorâmica única sobre a cidade. Acessível através de um elevador, com entrada pela Rua Augusta, o miradouro oferece uma vista deslumbrante sobre o Terreiro do Paço, a Baixa Pombalina, a Sé, o Castelo de São Jorge e o rio Tejo. 
O Arco da Rua Augusta foi projectado em 1759, a seguir ao terramoto. Os trabalhos de execução estiveram suspensos durante bastante tempo e só em 1843 foi aberto concurso para a conclusão da obra. Ostenta num dos lados as armas reais, no reverso um grande relógio e termina com o grupo da Glória coroando o Génio e o Valor, aos seus pés, esculturas do francês A. Calmels e do seu discípulo Leandro Braga. As personagens históricas escolhidas para figurar no Arco foram Viriato, Vasco da Gama, Nuno Álvares Pereira e Marquês de Pombal, ladeadas pelas alegorias dos rios Tejo e Douro, esculpidas por Vítor Bastos. O Arco acabou por ser inaugurado em 1873, tendo inscrita a legenda latina "Virtutibus maiorum ut sit omnibus documento. P(ecunia). P(ublica). D(icatum)" (Às Virtudes dos Maiores, para que sirva a todos de ensinamento. Dedicado a expensas públicas).
   

Os trabalhos de conservação e restauro da pedra foram executados por Ca Co3 - Conservação do Património Artístico, Lda (Teresa Silveira / Carlos).

Ligações: Arco da Rua Augusta vai abrir ao público em Maio; Arco da Rua Augusta: Onde pára o projecto? ; Saudades da DGEMN; Arco da Rua Augusta na TV; Relógio do Arco da Rua Augusta [YouTube]

domingo, 30 de junho de 2013

QUINTA DO TERREIRO DO PAÇO

Abriguem-se e bebam água, dizia o locutor. Ao calor, animais e plantas desceram ao Terreiro do Paço para os mouros de Lisboa verem como são a fauna e a flora, antes de chegarem ao "Continente".
Ficaram mesmo à porta do ministério da Agricultura. Que o da Educação fica bem mais lá para cima, na 5 de Outubro. Mas traz-nos à memória a carta que Guerra Junqueiro dirigiu ao então ministro da mesma pasta, Sr. Sampaio, em que escreveu que o País só entrará no verdadeiro caminho da regeneração, quando a universidade, em vez de bacharéis, começar a dar repolhos e propôs que as escolas sejam transformadas em hortas, para recreio do público e utilidade do mesmo.
Finalmente, já no século XXI, estão a cumprir-se as propostas do escritor trasmontano, enriquecidas com o show do Tony Carreira.

sábado, 13 de abril de 2013

O CAVALO QUE FOI DOURADO

Os trabalhos de restauro da estátua equestre de D. José, no Terreiro do Paço, permitiram concluír que o material em que foi construída é o latão e não o bronze. A liga metálica com que Machado de Castro moldou a estátua, de 1770 a 1775, é constituída por cobre (80%), zinco (10-14%), chumbo e estanho (2-3%). A estátua, de 14 metros de altura, afinal, não é de bronze, como se supunha, revela a última edição do Expresso.

domingo, 20 de janeiro de 2013

JUROS NO TERREIRO DO PAÇO

Os juros são uma grande "dor de cabeça" para o país e para os cidadãos mais endividados. Pela sua actualidade aqui deixamos este episódio da série "Isto é Matemática", que teve como cenário a zona do Terreiro do Paço, bem perto do ministério das Finanças e da sala de reuniões com a troika.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

MENDIGAR NO TERREIRO DO PAÇO

Vasco Rafael terminou o curso de história com média final de 16 valores. Agora, passa o dia a tocar violino e a declamar poesia, para ganhar dinheiro para pagar as propinas, que lhe faltam para obter o diploma. E, provavelmente, vai continuar desempregado e sem futuro, se continuar por cá. 
Os pobres e os sem abrigo aumentaram e enchem as ruas. Este é o retrato do País de pedintes em que nos transformaram. Em 2013 e seguintes, vai se pior. A miséria vai ser tradição ?

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

RESTABELECIDO TRÂNSITO JUNTO AO TERREIRO DO PAÇO

A Câmara de Lisboa anunciou em comunicado a abertura ao trânsito na frente ribeirinha do Tejo, junto ao Terreiro do Paço, após obras de repavimentação na Avenida Ribeira das Naus, que originaram longas filas de veículos na baixa lisboeta. 
Recorde-se que a circulação automóvel estava interdita, desde o final de Julho, entre o Campo das Cebolas e o Cais do Sodré.

domingo, 17 de junho de 2012

O RESGATE DO TERREIRO DO PAÇO

O acompanhamento e a gestão da conservação do conjunto monumental do Terreiro do Paço esteve, de 30 de Abril de 1929, até à sua extinção, em 27 de Agosto 2007, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). Fazia sentido que fosse um único organismo - também sediado na Praça do Comércio - a coordenar a manutenção de um espaço emblemático da cidade e do País, ocupado por várias entidades, principalmente ministérios e gabinetes de ministros, que celebrizaram o Terreiro do Paço como símbolo do poder.
Com a morte da DGEMN, que prestava um serviço público não remunerado, sucederam-lhe vários organismos (IGESPAR, DRCLVT e IHRU) e empresas públicas deficitárias (Frente Tejo, Parque Expo...) a pretenderem substituir a nossa Direcção-Geral, através de um serviço remunerado, altamente oneroso do bolso do contribuinte, sem história, sem experiência em reabilitação  e sem qualidade. Substituir um organismo por várias entidades   - que por serem várias têm dificuldade em coordenar e centralizar -, bem mais caras e que prestam um serviço bem pior, constitui um caso cada vez mais paradigmático da má gestão do País. Porque não se aplica o princípio da melhoria incontestável ? Nem sempre compensa mudar.
Na véspera do 10 de Junho, foi inaugurada mais uma fase da nova imagem da Ala Oriental (agora baptizada de "Nascente" a condizer)  como espaço de lazer ao nível do claustro, com esplanadas, restaurantes, cafés, uma discoteca, um museu e a florista, que deixou de pagar renda a um empreiteiro pela guarda das flores e, passou a pagar à Câmara de Lisboa.  «Era um local que não rendia um cêntimo sequer e agora vai gerar uma riqueza de 1,8 milhões, só em rendas, além do lucro conseguido por casa estabelecimento», diria, na oportunidade, António Costa, imbuído do espírito comercial com que a crise tem inspirado os nossos autarcas.
De resto, foi no âmbito dessa proclamada inspiração, que ontem tivemos - em mais um evento comercial dos supermercados Continente -, o campo na Praça do Comércio,  com árvores, porcos, galinhas e perús, a invadir a cidade. Para quem não tivesse notado, fica demonstrado que a crise despromoveu definitivamente o Terreiro do Paço e que o poder já há muito se mudou para Bruxelas. Os vestígios que restam não passam de simples encenação.

Ligações:Agora é que a Ala Nascente vai mesmo nascer (Veja como vai ficar a Ala Oriental); Terreiro do Paço tem novo espaço de lazer; Ala Nascente - Terreiro do Paço (Turismo de Portugal).

domingo, 11 de dezembro de 2011

O FADO DOS REFORMADOS

A maioria dos nossos reformados e pensionistas não foram políticos, nem gestores de empresas públicas, nem pertence aos extractos privilegiados da sociedade, que acumulam pensões, algumas delas milionárias ( bem acima dos 5 mil euros ).
Ontem, vieram de todo o país, concentraram-se no Terreiro do Paço e desfilaram em até à Praça da Figueira, numa manifestação apoiada pela CGTP e por várias forças políticas. Depois de anos de trabalho, com a crise surge a incerteza quanto ao futuro. A maioria são idosos e boa parte tem problemas de saúde. Como vão sobreviver os nossos reformados, ó gente da minha terra ? É o fado dos reformados.
   

Ligações: Os bodes expiatórios da crise; 20 milhões por mês para reformas milionárias; mais de 318 reformas milionarias só em 2011; Reformas milionárias em Portugal; Democracia para pensionistas; Assunção reformou-se aos 42 anos .

terça-feira, 11 de outubro de 2011

BIG BEN DESAPRUMADO

Tal como os acrotérios do corpo central e da ala ocidental do Terreitro do Paço, também em Londres, o cimo do Big Ben está quase 45 centímetros desaprumado em relação ao eixo, devido aos sucessivos alargamentos e obras subterrâneas.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

INFILTRAÇÕES NO METRO DO TERREIRO DO PAÇO

Segundo a SIC, há água e lodo a entrarem na estação do metro do Terreiro do Paço e na parte inicial do túnel que vai para o Cais do Sodré, tendo sido colocado um aviso, na entrada junto ao Cais das Colunas, acompanhado por um pedido de desculpa pelo incómodo. Um engenheiro civil, conhecedor desta obra, disse ter ficado preocupado com o que viu e, embora afastando a existência de um perigo imediato, diz que estes danos podem reduzir o tempo de vida da estrutura, caso as patologias não sejam, reparadas de imediato.

A estação foi inaugurada há pouco mais de três anos, tendo a obra durado cerca de 10 anos

segunda-feira, 29 de março de 2010

Arco da Rua Augusta na TV

"Lisboa sem hora certa " ou o "Relógio do arco da Rua Augusta tem 70 anos e nunca funcionou correctamente" são a síntese da reportagem transmitida ontem (28 de Março) pela SIC.


Veja também a reportagem da RTP, de 17 de Março 2010, em que intervém o Director Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, João Soalheiro.

sábado, 27 de março de 2010

Arco da Rua Augusta vai abrir ao público em Maio

Com o aproximar da visita a Portugal do Sumo Pontífice (em Maio),  as obras de requalificação da Praça do Comércio, promovidas pela Frente Tejo, SA, vão de vento em popa. Sua Santidade celebrará uma missa campal no Terreiro do Paço, não deixando de orar a Deus pelo Nobre Povo e pela superação da grave crise económica, financeira e de valores que a Nação Valente atravessa.
O Conjunto Monumental do Terreiro do Paço foi um dos "ex-libris" arquitectónicos da cidade de Lisboa, cujo estudo, conservação e reabilitação esteve a cargo da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. 
O acompanhamento e monitorização do comportamento estrutural, sobretudo da ala ocidental,  foi objecto de vários estudos e vistorias de inspecção, de que se destacam os estudos realizados de 1949 a 2000 pelo LNEC, sendo os mais significativos os de Hamrol (1958), Castro (1966), Vieira e Leal (1999), tendo-se efectuado a medição de marcas de nivelamento ao longo do tempo. Em relatório de Novembro de 2000, os Doutores em Engenharia Civil Sousa Coutinho e Mary Mun concluem e propõem, nas medidas a tomar, que, embora seja claramente o torreão que arrasta o resto do edifício, se deve tratar a ala Ocidental do edifício. Não se considera necessária, nem mesmo aconselhável, a colocação do edifício na posição original, mas tão-somente o estancar dos assentamentos, que vinham provocando danos significativos.
Esperamos que a reabilitação executada pela Frente Tejo, SA, tenha sido suficientemente criteriosa e com boa consciência e tenha tido em consideração os estudos e as recomendações antecedentes, já que, tanto quanto se sabe, os organismos do Ministério da Cultura e os seus técnicos estiveram ausentes da presente reabilitação da Praça do Comércio.
Da Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo apenas se conhece a intervenção no Arco da Rua Augusta e no seu relógio que tarda em dar horas.
A este propósito transcrevemos o artigo do jornal "Público", de 23 de Março último, pela pena do jornalista Carlos Filipe, seguido de duas fotografias nossas, com vista do Arco da Rua Augusta e dos elementos escultóricos típicos.

«Director Regional de Cultura considera que intervenção no monumento é delicada, mas a abertura ao público é considerada imperativa
A subida pelo interior do Arco (do Triunfo) da Rua Augusta, que faz a ligação dos edifícios da Praça do Comércio classificados como monumento nacional, deverá ser permitida à fruição pública o mais tardar até Maio, dando acesso ao patamar do terraço com ampla visão sobre aquela praça e o Tejo e a Baixa pombalina.
Empenhada em renovar acessibilidades para potenciar o turismo, a Direcção Regional de Cultura (DRC) de Lisboa e Vale do Tejo considera mesmo que "é um imperativo a devolução do monumento à cidade", simultaneamente com a reabertura, em Maio, para a missa papal, de parte do Terreiro do Paço, já com o novo arranjo arquitectónico.
Aquela direcção de Cultura pondera o estudo de soluções profundas de intervenção no monumento, que classifica como "delicadas", mas João Soalheiro, que dirige a entidade, disse ao PÚBLICO que sem deixar de lado as hipóteses em estudo, a DRC "está empenhada em abrir ao público o monumento nas exactas condições que o mesmo oferece, embora isso signifique a adopção de condicionalismos vários, a exemplo do que se passa em monumentos emblemáticos espalhados por urbes históricas da Europa."
A história da intervenção no arco não é nova, e em 2006 já dela se falava, inclusivamente com recurso a mecenas, solução encontrada para a recuperação do relógio que lá se encontra. Mais tarde, em Outubro de 2007, por ocasião da apresentação da recuperação do mecanismo do relógio, com a presença da então ministra Isabel Pires de Lima, também foi dito quão prioritária seria a recuperação de todo o conjunto, ainda que não tenha sido anunciada uma calendarização. Todavia, foi assumida a intenção da sua abertura ao público, eventualmente com recurso a uma plataforma elevatória que permitisse aos visitantes evitar uma penosa escalada pelos mais de 80 íngremes degraus.
Relógio acerta no domingo
Já uma solução final para o funcionamento do relógio deverá ser encontrada até ao final de Abril. João Soalheiro admitiu ao PÚBLICO que o seu mecanismo revelou-se "caprichoso, ao ponto de voltar a falhar a sua missão, reacção que surpreendeu os especialistas". Por isso, a DRC está em processo de consulta às pessoas e instituições envolvidas [Cultura e mecenas], no sentido de serem equacionadas respostas técnicas capazes de solucionar o problema.
Luís Cousinha, neto do fabricante do actual mecanismo, admitiu recentemente problemas de ajustamento dos pesos e também no acesso ao local onde está alojado, mas rejeitou responsabilidades. "[O relógio] andará certo desde que lhe seja dada corda e na madrugada de domingo será acertado pela hora de Verão", disse ontem ao PÚBLICO.
O Arco da Rua Augusta, na versão final segundo projecto de arquitectura de Veríssimo José da Costa, foi construído entre 1873 e 1875.»



   

sexta-feira, 5 de março de 2010

SAUDADES DA DGEMN


Se houvesse dúvidas sobre a capacidade e a competência técnica da Direcção Regional de Cultura (DRCLVT) em preservar o património que lhe está afecto, a Baixa Pombalina é um bom exemplo. Se a requalificação geral da Praça do Comércio, pela Frente Tejo SA,  à margem e sem qualquer presença activa da Cultura, colocam inevitavelmente a questão da utilidade e existência da DRCLVT, os dois únicos casos em que este organismo assumiu as suas responsabilidades são um paradigma ontológico de actuação inadequada.
A reabilitação de  acrotérios  - que foi uma das últimas intervenções de referência da saudosa DGEMN, através do projecto, da fiscalização e do lançamento das empreitadas - são agora da responsabilidade directa das secretarias-gerais dos ministérios contíguos, tendo a DRCLVT apenas "recomendado" o seu escoramento* (!).
 Quanto ao Arco da Rua Augusta e ao seu vetusto relógio, reproduzimos o artigo - que diz tudo - do jornalista do JN, Cristiano Pereira, "RELÓGIO DA RUA AUGUSTA HÁ ANOS COM AS HORAS TROCADAS", publicado no último dia do mês passado.    

O relógio do Arco da Rua Augusta, em Lisboa, não funciona correctamente há vários anos. Ou está desacertado ou pura e simplesmente parado. A situação é considerada como "uma vergonha" pelos especialistas. E tudo parece estar numa situação de impasse.
"É uma situação ridícula", afirmou, ao JN, Fernando Correia de Oliveira, especialista em relojoaria, pesquisador do fenómeno do tempo, do fabrico de relógios e da Evolução Mental e autor de livros e inúmeros trabalhos sobre o assunto. "Aquilo é tão central que não passa despercebido", comentou, sublinhando que "não é um relógio de vão de esquina". "Passam ali milhares de pessoas. É uma vergonha", desabafa.
Contactado pelo JN, o relojoeiro responsável pela sua reparação e manutenção, Luís Cousinha (neto do fabricante do relógio), garantiu, por seu turno, que "o relógio não tem problemas técnicos" mas que não está a trabalhar "porque há obras" no interior do arco. O relojoeiro disse que a Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo tenciona "mudar o relógio de onde ele está" para ser "embutido num nicho grande".
Fernando Correia de Oliveira também tem conhecimento dessa intenção de "embutir o relógio na parede" mas considera tal plano "uma coisa completamente espatafúrdia".
O investigador teceu duras críticas ao projecto. "Meteu-se um arquitecto ao barulho que fez para lá um plano muito clean para open spaces e, portanto, o relógio está ali a estorvar".


Perigo público

Na sua óptica, embutir o relógio dentro da própria parede vai criar "uma grande complicação para fazer a transmissão de forças do relógio propriamente dito para os ponteiros" além de outros problemas para os pesos. "O arquitecto devia falar com alguém que perceba de relojoaria para perceber que o que ele propõe é capaz de ser um disparate até com algum perigo público porque se soltam roldanas vem tudo por ali abaixo", apontou.
O JN tentou obter esclarecimentos junto da Direcção Regional de Cultural e Vale do Tejo mas não obteve resposta até à hora do fecho desta edição.

Dar à corda
O mau funcionamento do relógio não parece ser um problema recente. Fernando Correia de Oliveira considerou que "tem estado intermitentemente ao abandono" e que nas últimas décadas o relógio tem passado "sobressaltos muito grandes".
O relojoeiro Luís Cousinha, por seu turno, lembrou que nos últimos anos o relógio trabalhava "quando lá íamos dar à corda" mas admitiu que isso nem sempre era possível e que muitas vezes se deparavam dificuldades no acesso à chave do miolo do Arco.
"Não sei de quem é a incompetência mas devem ser dois ou três factores que ali se foram congregando", apontou Fernando Correia de Oliveira. "Não estamos a falar de levar uma pessoa à lua num space shuttle", ironizou, sublinhando que "ali não há segredo" e que "é muito fácil pôr o relógio a funcionar, não estamos a falar de tecnologia de ponta".
O pesquisador lembrou ainda que "o relógio não chegou sequer a ser ligado ao próprio sino que está no terraço quando isso seria colocá-lo na sua verdadeira função" porque, diz, "o relógio não é apenas para mostrar as horas mas também para bater as horas".

CRISTIANO PEREIRA
__________________________________________________________________________________
*"ex-DGEMN" propõe, desde já, um louvor ao(s) técnico(s) recomendante(s), no âmbito do SIADAP.
Sugerimos a leitura do nosso post "E' importante pensar(e estudar !) a reabilitação",

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Arco da Rua Augusta: onde pára o projecto ?

O relógio do cimo do Arco da Rua Augusta parece que se encontra mesmo parado. Depois de ter sido reparado, ao abrigo de um mecenato que envolveu a Torres Distribuição e a sua representada Jaeger Le Coultre, a 22 de Outubro de 2007 o célebre relógio voltou a mostrar as horas aos que por ali passam. Mas foi por pouco tempo: dias depois os ponteiros voltaram a parar, devido a um problema no pêndulo. Na altura, o IGESPAR assegurou que "dentro de 2 ou 3 anos" o mecanismo poderia receber visitas do público, estando previsto um elevador exterior para evitar a subida a pé de 80 degraus.

Recentemente, o Observatório dos Relógios Históricos de Lisboa dirigiu, no dia 14 de Janeiro 2010, uma missiva ao Director do IGESPAR solicitando "a consulta ao projecto para o relógio e espaço envolvente".

Em resposta, subscrita por Maria Resende, o IGESPAR respondeu assim:

"Exmº Senhor


O IGESPAR, I.P. e a empresa TORRES Distribuição conscientes da necessidade de protecção, valorização, e manutenção do relógio do Arco da Rua Augusta promoveram o seu restauro. As intervenções de conservação e restauro dos mecanismos do relógio consideraram-se da maior importância, não só pela excelência histórica do Arco da Rua Augusta, classificado como Monumento Nacional, como ainda pela localização e visibilidade que o relógio possui.
O dia 28 de Maio de 2007 marcou o início dos trabalhos de recuperação de um dos principais medidores de tempo que faz parte do património relojoeiro de torre português.148 dias depois – 3.552 horas; 21.3120 minutos –, o relógio voltou a fazer-se ouvir.
Com o Programa de Reestruturação da Administração Pública passaram as recém criadas Direcções Regionais de Cultura a prestar os esclarecimentos sobre os imóveis classificados ou em vias de classificação edificados na sua área geográfica. Neste caso específico o contacto deverá ser feito para a Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, pelo que tomei a liberdade de reenviar o seu pedido.


Cordialmente
Maria Resende

Gabinete de Comunicação do IGESPAR, I.P."

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