quarta-feira, 5 de março de 2014

A RÚSSIA JÁ NÃO TEME A EUROPA

A Rússia acaba de se apropriar da Crimeia. É nestes termos que Le Monde descreve a situação naquela região autónoma da Ucrânia, onde milhares de soldados sem insígnias tomaram o controlo dos pontos estratégicos. 
Entre as numerosas análises publicadas nos meios de comunicação social ocidentais, ressalta a de Ben Judah no Politico. Segundo ele, a principal explicação para este golpe de força russo é simples: a Rússia já não tem medo dos europeus porque sabe que eles estão demasiado ocupados a receber o dinheiro sujo russo: 
Os dirigentes da Rússia compram a Europa há anos. Têm moradias e apartamentos de luxo no West End de Londres ou na Côte d'Azur.(...) O dinheiro deles é depositado nos bancos austríacos e nos paraísos fiscais britânicos (...) Com uma série de inquéritos sobre o branqueamento de capitais e a proibição de vistos, a UE poderia privá-los da sua riqueza. Todavia, eles têm visto os governos europeus cada vez mais resistentes em fazer passar uma lei semelhante ao Magnitski Act americano, que interdita a entrada em território americano de dirigentes criminosos. 
Recorda-se que o Magnitsky Act foi votado nos EUA no fim de 2012, para punir os funcionários russos acusados de estarem implicados na morte de Sergeï Magnitsky, um advogado que denunciou uma fraude de 230 milhões de dólares (175 milhões de euros) com os fundos de investimento de Bill Browder, um empresário americano que depois promoveu uma campanha para que fosse feita justiça. A votação da lei levou à deterioração das relações entre os EUA e a Rússia.
Bill Browder explicava em entrevista à Slate francesa, em Março de 2013:
No passado, os instrumentos habituais de um activista dos direitos humanos eram obter dos governos reticentes declarações pouco entusiastas condenando diversas acções, o que não tinha efeitos práticos. Hoje, falamos em obter dos governos reticentes a interdição de vistos e o congelamento de activos, o que tem efeitos profundas para toda a gente. Estas pessoas vivem num ambiente em que cometem atrocidades na Rússia e tiram proveito dos lucros financeiros destas atrocidades em França, na Itália, no Reino Unido ou na Suiça. Se forem impedidos, terão que repensar completamente as suas opções de vida.
Após a aprovação da lei americana, Bill Browder tem envidado esforços para que seja aprovada na Europa uma lei Magnitsky e desdobra-se em encontros com parlamentares em França e um pouco por todo o lado. Até agora em vão.

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