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sábado, 29 de dezembro de 2012

O 'PROFESSOR' COLUNÁVEL E PROLIXO

As referências a Baptista da Silva na comunicação social remontam pelo menos a 2007. Um artigo do "Público" sobre o referendo do aborto aponta-o como sendo um "leigo católico". Já este ano o "Jornal de Notícias" apelidou-o de "professor universitário e investigador", num artigo sobre de 18 de maio sobre o Manifesto para uma Esquerda Livre. A 7 de junho o "Diário de Notícias" ("DN")referiu-se-lhe como "economista". A 11 de novembro os sites do "Público" , "Correio da Manhã", "DN" e "RTP", citando a agência Lusa, designaram-no como "consultor do Banco Mundial" num texto sobre a Conferência da Fundação Liga onde participou Bagão Félix. A 15 de dezembro, o Expresso publica uma entrevista. E na sexta-feira dia 21 Baptista da Silva é um dos convidados do "Expresso da Meia-Noite". No dia seguinte, no Expresso, é referido num artigo de opinião de Nicolau Santos e é entrevistado para a TSF. As suas declarações são citadas em agências de notícias internacionais como a Reuters. No domingo, todos os canais, exceto a SIC, abrem os noticiários das 13h com frases do falso quadro da ONU.(...) 

(Transcrito da edição do Expresso de hoje)

Ligações: Será este o próximo primeiro ministro ? ; Burlão esteve na universidade de verão do PS [Expresso]; ONU diz que Artur Baptista da Silva “não está autorizado” a falar em nome da organização [Público]; Somos todos Artur Baptista da Silva [blog Aventar].

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A AUSTERIDADE DESIGUAL

A desigualdade na distribuição dos sacrifícios pelos portugueses vai alastrando como uma nódoa. Basta atentar nos cortes dos subsídios de férias de Natal que deviam ser para todos e dirigiram-se específicamente a pensionistas (para morrerem mais depressa) e funcionários públicos (os bodes expiatórios da despesa pública), e, mesmo assim, com muitas e variadas excepções, mantidas em segredo.
Soube-se, agora que 1323 nomeados para funções públicas, mais 131 assessores de gabinetes ministeriais, perfazendo 1454 pessoas receberam subsídio de férias em 2012. A informação terá chegado ao Parlamento no dia 16 de Outubro, seguida de correcção com o novo número e com a justificação para o erro, dois dias depois. A notícia é do Diário de Notícias, de hoje.
Pior que o défice financeiro é a desigualdade na distribuição de sacrifícios e a progressiva quebra da solidariedade nacional. Aonde vamos parar ?

Ligação: Quase 1500 'boys' receberam subsídio de férias [Diário de Notícias].

terça-feira, 28 de agosto de 2012

CONCESSÃO É UMA 'POUCA VERGONHA' ?

Os portugueses pagam 140 milhões para o serviço público de televisão, que está previsto na CRP. Poderá esse serviço ser concessionado a privados ?
Mário Soares não acredita que o governo avance com a concessão da RTP, que é uma pouca vergonha, em declarações ao "Diário de Notícias". Por sua vez, José Manuel Fernandes, jornalista, ex-director do "Público", tem opinião diferente, conforme disse, ontem, em entrevista a Mário Crespo. (Re)veja.

domingo, 8 de janeiro de 2012

MAIORIA MAIS AMPLA ACIMA DA POLÍTICA

Medina Carreira disse ao programa Gente que Conta* que o País ainda não percebeu as causas da austeridade e que o primeiro-ministro as deve explicar " na televisão, com giz e um quatro preto" e que seria conveniente o País ser governado por um executivo de maioria ainda mais ampla e, se possível, constituído por pessoas "acima da política".
Medina comentou também o caso da transferência de sede da holding do grupo Jerónimo Martins, dizendo que o grupo está a ser transformado no bombo da festa.
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*programa de entrevistas de João Marcelino (Diário de Notícias) e Paulo Baldaia (TSF).

domingo, 25 de dezembro de 2011

'TROIKA' PODERÁ AUTORIZAR DÉFICE SUPEIOR EM 2012 ?

Um membro do governo confirmou à SIC que pode ser solicitado à troika um défice mais alto que o previsto em 2012, se a conjuntura internacional se agravar. O Diário de Notícias garantia, na sua edição de ontem, que a revisão do défice já tinha mesmo sido tomada, no Conselho de Ministros realizado no Forte de S. Julião da Barra*.


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*monumento cujas obras de conservação e reabilitação estiveram, durante décadas, a cargo da DGEMN.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

HOJE CONFERÊNCIA SOBRE A MAÇONARIA

Na sequência da Grande Investigação sobre a Maçonaria, o DN promove, hoje, às 17:00 horas, no seu auditório da Avenida da Liberdade, uma conferência-debate, que conta com a participação de conhecidas figuras da maçonaria portuguesa, como José Manuel Anes, ex-grão mestre da GLLP; António Reis, ex-grão mestre do GOL e presidente do CLIPSAS; José Eduardo Franco, historiador e ensaísta; e João Soares, deputado e maçom do Grande Oriente Lusitano (GOL). A conferência será transmitida em directo, aqui e em www.dn.pt.

Ligação: Hoje, os maçons escondem-se de quê ?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Já não bastavam os falsos advogados...

Um advogado e antigo professor de Direito Civil na Universidade de Coimbra é suspeito de burlar empresários, tribunais e institutos públicos a coberto de um fictício tribunal arbitral.
João Álvaro Dias terá provocado prejuízos superiores a um milhão de euros. O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) acusou o advogado - considerado o cérebro do grupo - e mais quatro arguidos que, segundo o Ministério Público, com ele colaboraram num megaesquema de falsificação de documentos, burla e frustração de créditos.
João Álvaro Dias é suspeito de ter amealhado cerca de 300 mil euros. Criou um tribunal arbitral fantasma, na esfera da Faculdade de Direito de Coimbra, o que credibilizou as fraudes.

(In Diário de Notícias de hoje)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

IGF VAI AUDITAR PARQUE ESCOLAR

Nuno Crato solicitou à Inspecção-Geral de Finanças (IGF) uma auditoria financeira, com componente técnica e administrativa, às contas da Parque Escolar, cujo endividamento se situa nos 946 milhões de euros.
A empresa foi criada por José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues para requalificar e gerir os edifícios de mais de 300 escolas secundárias e tem sido objecto de diversos reparos e denúncias por processos de adjudicação pouco transparentes de projectos e obras, nomeadamente com suspeita de relações promíscuas entre adjudicados e administradores

Ligações: os nossos artigos referindo a Parque Escolar ; O estranho caso da Parque Escolar (jornal "i"); Parque Escolar vai cobrar 50 milhões em rendas em 2011 (Diário de Notícias).

quinta-feira, 28 de julho de 2011

CONFIRMADAS FUGAS DE INFORMAÇÃO NO SIED

Em entrevista ao Diário de Notícas, o ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) disse que é normal passar informação, com autorização superior, a empresas privadas quando não está em causa o interesse nacional. Jorge Silva Carvalho sublinha, no entanto, que não violou o dever de sigilo ou o segredo de Estado. O ex-director do SIED admite que enviou mensagens de correio eletrónico contendo informação secreta, para a empresa Ongoing.
A entrevista de hoje do Dr. Jorge Silva Carvalho confirma em absoluto tudo o que o Expresso escreveu no passado sábado, declarou Ricardo Costa, director do Expresso.

Ligações: Director do Expresso reafirma notícia sobre 'secretas'; Chefe das secretas enviou 'mails' mas não violou sigilo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O flagelo das PPP: Serão só 83 ?

O Diário de Notícias, numa atitude muito responsável (e louvável) tem estado a publicar um conjunto de estudos* subordinados ao tema o Estado que temos. Conhecedores da máquina da administração pública e vítimas do PRACE**, não podíamos ficar indiferentes. Referimo-nos, recentemente, aos 20 milhões por mês para pensões milionárias . Hoje recuperamos o subtema  das parcerias público-privadas (PPP), que servem para camuflar o défice e já começaram a entrar silenciosamente no bolso dos contribuintes, e transcrevemos este pequeno extracto da investigação do "DN".

De acordo com os dados disponibilizados pela Direcção-Geral do Tesouro e das Finanças, as parcerias vão prolongar-se, pelo menos, até 2083, ano em que expira o contrato de concessão da Barragem Foz Tua, cujos contratos foram assinados em 2008 com a EDP, com a duração de 75 anos. Isto é o mesmo que dizer que, caso não sejam contratualizadas mais PPP, uma criança que tenha nascido no dia 1 de Janeiro deste ano terá 72 anos quando este prazo terminar. Uma altura em que, muito provavelmente, já estará reformada e terá netos.
Actualmente, o Estado português tem 83 PPP - a primeira foi assinada em 1995 com a Lusoponte, para a construção da Ponte Vasco da Gama e para a exploração das portagens nesta travessia e na Ponte 25 de Abril. Destas, 64 encontram-se em exploração e 19 em construção. Entre as parcerias que se encontram em fase de construção, destaque para a polémica construção do troço do TGV entre Poceirão e Caia, cujo contrato foi assinado em 2010, com um período de vigência de 40 anos.

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*Na nossa modesta opinião o "DN" deveria incorporar, para cada tema investigado, profissionais no activo, directamente ligados aos temas.
**Com a extinção da DGEMN, num processo conduzido por pessoas sem conhecimentos específicos da nossa Administração Pública que levaram a que ficássemos muito pior que o que estávamos. No caso da DGEMN, parte das suas competências foram distribuídas por 7 (sete) entidades e outras não foram sequer atribuídas a nenhum dos novos organismos. Quem aproveitou com esta "brilhante" reforma socrática ?

Ligação: Grande Investigação DN .

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A crise

Muitos dos nossos leitores têm-nos remetido textos dos media sobre a crise que tomou conta do País e que, naturalmente, tende a agravar-se com o tempo, se não reagirmos a tempo.
Um desses textos foi justamente este, de José António Saraiva (semanário SOL), que, pela sua actualidade (embora não sendo recente),  seleccionamos e reproduzimos:

Crise Nacional e Internacional

Crise nacional

Creio que a maioria das pessoas ainda não percebeu bem esta crise - e os economistas não estão a saber explicá-la com clareza.
É verdade, como se tem dito, que há uma 'crise nacional' e uma 'crise internacional'. Mas, depois desta evidência, a confusão que por aí vai é enorme.
Comecemos pela crise portuguesa.
Trata-se de uma crise profundíssima, potenciada por três factos capitais: o fim do Império, a passagem da ditadura à democracia e a entrada na União Europeia.
Tudo isso, que se pensava vir a ter um efeito benéfico na economia, produziu de facto consequências devastadoras.
O fim do Império limitou-nos o espaço vital, cerceou-nos matérias-primas e mercados, diminuiu-nos política e psicologicamente.
A passagem da ditadura à democracia (com o seu rosário de greves, nacionalizações, perseguições, saneamentos, reivindicações laborais insustentáveis, etc.) destruiu boa parte do nosso tecido económico. A entrada na União Europeia e a abolição das fronteiras pôs-nos em confronto com economias muito mais avançadas, acabando de liquidar o que restava da nossa débil capacidade produtiva.

A crise internacional é de outra natureza.

Ela decorre da globalização e tem duas vertentes.
Por um lado, os produtos feitos no Ocidente começam a não ter condições para competir a nível global com outros produzidos em países (China, Índia, Coreia, etc.) onde os salários e as regalias laborais são muitíssimo inferiores.
Por outro lado, as empresas tendem a transferir cada vez mais as suas fábricas e serviços de Ocidente para Oriente - o que significa que no Ocidente vai aumentar o desemprego e no Oriente vai acentuar-se a procura de mão-de-obra. E, em consequência disso, no Ocidente baixarão os salários, acabarão muitas regalias sociais, numa palavra, será posto radicalmente em causa o tipo de vida que se fez nos últimos 50 anos.
No Oriente, pelo contrário, os salários tenderão a subir e o nível de vida crescerá. Assim, a crise que hoje se vive no Ocidente é de natureza diferente das anteriores.
Antes, eram crises de crescimento do capitalismo dentro da sua área geográfica; agora, a crise tem a ver com a globalização do capitalismo. Repare-se que grande parte do planeta, que até pouco vivia fora do sistema capitalista, aderiu à sociedade de mercado: basta pensar nas adesões quase simultâneas da Rússia e da China para se ter uma ideia do abrupto alargamento da área do capitalismo nos últimos anos.
Os grandes grupos multinacionais, que antes estavam limitados a um determinado espaço territorial, hoje têm o planeta inteiro para instalar os seus centros de produção - podendo procurar os salários mais baixos, as melhores ofertas de mão-de-obra, as menores regalias dos trabalhadores.
O planeta tornou-se um sistema de vasos comunicantes - onde, para uns viverem melhor, outros vão ter de viver pior. Para certas regiões subirem o nível de vida, outras vão necessariamente perder privilégios. Perante isto, perguntará o leitor: o que poderemos fazer para inverter o estado das coisas?
Basicamente, não há nada a fazer.
Os factores que potenciaram a crise nacional são irreversíveis - e a globalização não vai andar para trás. Assim, vamos ter de nos adaptar à nova situação, o que significa de uma maneira simples trabalhar mais e ganhar menos. Os salários vão baixar (lenta ou abruptamente) entre 10 e 30%, os horários de trabalho vão aumentar (com a abolição total das horas extraordinárias), o 13.º e 14.º meses vão ficar em causa, a idade da reforma também vai ser ampliada (para perto dos 70 anos), o rendimento mínimo garantido vai regredir drasticamente, o subsídio de desemprego também vai diminuir, a acumulação de reformas vai ser limitadíssima.
Muitas 'conquistas dos trabalhadores' na Europa, obtidas no pós-guerra, vão regredir. As leis laborais vão ter de ser flexibilizadas. O sistema de saúde não vai poder continuar a gastar o que tem gasto. Preparem-se, porque não vale a pena protestar. O que não tem remédio, remediado está.
Dizia há dias, com graça, Ernâni Lopes, a propósito do subsídio de férias: «Se dissessem a um americano: 'Para o mês que vem não trabalhas e ganhas dois ordenados', ele não acreditava».
Pois há muitos anos é esta a situação: não trabalhamos nas férias e recebemos o dobro.
Isto, também, vai acabar.
José António Saraiva


Sugestão: Leia também o artigo A bananização do País , de Carlos Abreu Amorim (Diário de Notícias, de hoje)

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