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sexta-feira, 22 de junho de 2012

SUBMARINOS (TAMBÉM) NO CAMINHO DE LIMA

Segundo o semanário Sol, foram as investigações do caso Monte Branco - onde Duarte Lima foi identificado como um dos principais clientes das duas maiores redes de branqueamento e fraude fiscal conhecidas em Portugal - que permitiram ao DCIAP chegar a uma nova descoberta: Duarte Lima terá recebido um milhão de euros, através de um contra-almirante português, que a Justiça alemã concluiu ter recebido "luvas". 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

UMA TELENOVELA DIGNA DA EXPO

Segundo o Sol, a vontade súbita de Duarte Lima em viajar e desfazer-se de bens, no final de 2011, levou o procurador Rosário Teixeira e o juíz Carlos Alexandre a inferirem que o conhecido advogado tinha tudo preparado para fugir para um país onde não fosse possível a sua extradição ou julgamento pelo homicídio de Rosalina Ribeiro. Esta conclusão terá resultado de escutas de conversas entre Duarte Lima e a sua secretária Marlete.
Lima teria andado a combinar tudo com a secretária (e namorada) Marlete Oliveira, 38 anos, natural de Minas Gerais, que chegou a Portugal em 2005, tendo ficado a trabalhar em Monte Gordo (Algarve), no Hotel Alcazar (pertencente a um sócio do filho de Duarte Lima) e que terá arrendado, no ano seguinte, um apartamento na torre mais alta da Expo, em Lisboa, com vista para o Tejo.

sexta-feira, 23 de março de 2012

GASPAR REJEITA COMPARAÇÕES COM SALAZAR

Em entrevista ao semanário SOL, Vítor Gaspar lamenta a polémica em torno da gestão dos fundos comunitários do QREN e reafirma que, para este ano, não prevê mais austeridade, reiterando que Portugal vai conseguir atingir a meta de défice. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

NOVO VÍDEO DO ESTRIPADOR DE LISBOA

José Guedes nega agora a autoria dos crimes, mas, sobre o homicídio de uma mulher em Cacia, revelou à jornalista Felícia Cabrita do SOL,  pormenores que levaram à sua prisão preventiva pela Polícia Judiciária.


Ligação: Vídeos do semanário SOL sobre o estripador de Lisboa.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

DESCOBERTO ESTRIPADOR DE LISBOA ?

Felícia Cabrita é uma jornalista investigadora de reconhecidos méritos. Depois da pedofilia da Casa Pia, do caso Duarte Lima, agora descobriu o estripador de Lisboa, que faz manchete no semanário SOL. O suspeito chama-se José Guedes. Vive em Matosinhos e deixou os vizinhos surpreendidos com as acusações.
Ficamos cada vez mais preocupados (e desassossegados) que as polícias sejam menos eficientes que o que pensávamos.

      
      

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

LIMA TINHA PROCESSO DO BRASIL EM CASA

Quando hoje for interrogado, Duarte Lima vai ter de explicar não só o negócio da Homeland , como também o que a Polícia ontem lhe encontrou em casa: um CD coom todo o processo do Brasil relativo à morte de Rosalina Ribeiro e a carta rogatória que as autoridades deste país enviaram para Portugal no ano passado - tudo documentos originais.
Ainda mais estranho é que o CD tinha uma carta do advogado de Lima no Brasil , de 2010, em que este dá a entender que teve acesso ao processo de forma ilegal. E recomenda que quando fosse contactado para ser ouvido em Portugal, recusasse responder invocando que não tivera acesso ao processo (o que, de facto, aconteceu). Foram igualmente apreendidos em casa de Duarte Lima documentos da Homeland e vários contratos de empréstimos.
Duarte Lima poderá ficar preso preventivamente, por perigo de fuga. É que, segundo o SOL apurou, o antigo deputado do PSD vendeu nas últimas semanas uma série de bens, nomeadamente porcelanas chinesas valiosas e quadros. Ambos avaliados em 1,5 milhões de euros e ambos de Pieter Bruegel: um já tinha sido vendido e outro foi enviado para Paris há 15 dias , no porão de um avião também para ser vendido. Além disso, tem pendente a acusação de homicídio qualificado de Rosalina Ribeiro, no Brasil, que emitiu um mandato de captura internacional - tudo razões que deverão levar o procurador Rosário Teixeira, do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, a pedir ao juíz do Tribunal Central de Instrução Criminal, Carlos Alexandre, que decrete a prisão preventiva de Duarte Lima.
(in semanário SOL, de hoje, extracto de artigo de Felícia Cabrita)

Para os leitores que não saibam, revelamos que Duarte Lima é um exímio pianista. Assim, para desanuviar e descontraír o ambiente, veja-o e ouça-o, ao piano, a acompanhar Manuel Alegre, declamando poesias suas, no Programa Oriente, de Bárbara Guimarães.

ASSUNÇÃO REFORMOU-SE AOS 42 ANOS

A actual Presidente da Assembleia da República recebe por mês,  uma pensão de 7 mil duzentos e
vinte cinco euros, por ter trabalhado dez anos como juíz do Tribunal Constitucional e a lei, que então vigorava, contemplar um regime especial para estes juízes.
Assunção Esteves, por não  poder acumular a pensão com o vencimento de 5 mil duzentos e dezanove euros e quinze cêntimos de Presidente da Assembleia da República, prescindiu do vencimento do actual cargo, mantendo, contudo, as ajudas de custo no valor de 2 mil cento e trinta e três euros. Segundo Helena Pereira do SOL, que consultou a respectiva declaração de património depositada no TC, Assunção recebeu em 2009, para além de 101.577,18 euros de pensão, 91.620 euros de trabalho dependente.
Recorde-se que Cavaco também optou por receber as pensões em vez do vencimento de Presidente da República, que é cerca de 6.523 euros, recebendo perto de 10 mil euros de duas reformas (de funcionário do Banco de Portugal e de professor da Faculdade de Economia da Universidade Nova).
Com subvenções destas, a fazer inveja à aioria dos pensionistas, não custa nada apregoar a austeridade. Mas a nossa democracia é assim: os cidadãos são todos iguais, só que alguns são mais iguais que outros. Contra factos, não há argumentos*, como diz a Alberta Marques Fernandes quando lê aquelas estatísticas da Pordata, relativas ao nosso País.

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*Escusa a assessora da Presidente da AR lamentar-se ao SOL que esta questão dos vencimentos dos políticos, "em tempos difíceis, se tenha vindo a prestar a uma especulação populista e mesmo ofensiva nos blogues e no Facebook" (sic). Ora toma ! Estes malandros destes bloguistas são uns más-línguas que só sabem fomentar no povo a inveja dos políticos e dos seus «míseros» salários. 

sábado, 5 de novembro de 2011

TEIXEIRA DA CRUZ CUMPRE DEVER

Vai sendo cada vez mais vulgar que dirigentes (e até simples funcionários públicos !) doem bens móveis  do Estado sem autorização e à margem das disposições legais. Os ex-DGEMN conhecem bem estas situações e têm bem presente que, a quando da extinção da nossa Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, nas instalações da Praça do Comércio, foram carregados, sem controlo, camiões de mobiliário e equipamento, que deveria ter tido como destino os 5 organismos que sucederam à DGEMN, mas que boa parte foi destruída pelas fracas condições de transporte (e armazenamento) e outra parte ninguém sabe para onde foi. A responsabilidade para a eventual delapidação deste património mobiliário público vai inteirinha para o IHRU e para o seu então presidente Nuno Vasconcelos*. Só que ainda há ministros e dirigentes que cumprem o dever de zelar pelos bens públicos, como é o caso da actual ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, como vamos contar no episódio que se segue.
Na sequência da extinção, em 21 de Janeiro, pelo anterior Governo, do Departamento de Gestão do Subsistema de Saúde e Acção Social Complementar da Justiça, os secretários-gerais adjuntos do ministério da Justiça (MJ) doaram, por sua iniciativa e sem conhecimento do Secretário-Geral, o mobiliário do organismo extinto a três instituições privadas de Caminha e do Cartaxo. Segundo o SOL, o Secretário-Geral António Simão informou que, quando recebeu a listagem do que fora retirado do edifício em causa, verificou que aqueles bens foram cedidos pelos seus adjuntos, «sem o seu conhecimento e consentimento e sem que tenham sido seguidos os procedimentos que legalmente se consideram imprescindíveis à regularidade deste processo» – nomeadamente, «o auto de abate, auto de cedência e auto de entrega». Além disso a cedência gratuita de bens do Estado tem de ter parecer da Direcção-geral do Património.
Nem a justificação da urgência para desocupar rapidamente as instalações desse extinto departamento, arrendadas, na rua 1.º de Dezembro, em Lisboa, de forma a entregá-las de imediato ao senhorio, foi considerada procedente pela ministra da Justiça: as chefias da Secretaria-geral do Ministério da Justiça cessaram funções, após a ministra Paula Teixeira da Cruz ter exigido a sua demissão, sem direito a indemnização.
Uma medida que merece aplauso, quando tantos ministros e dirigentes públicos têm voltado as costas aos seus deveres (e responsabilidades) e, inclusivamente, têm silenciado (ou até colaborado !)  na delapidação do erário público
___________________________
*Nomeado responsável pela extinção/fusão da DGEMN, pelo Despacho Nº18692/2007, de 10 de Julho, do MAOTDR e do Ministério da Cultura. Veja o quadro jurídico da extinção/fusão de organismos no Decreto-Lei nº200/2006, de 25 de Outubro.

Ligações:  Ministra da Justiça demite chefias; Presidente do IHRU não reconduzido.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

DUARTE LIMA ACUSADO DE HOMICÍDIO

Segundo o "Sol", Duarte Lima é acusado do homicídio de Rosalina Ribeiro, pelo Ministério Público do Brasil, ao abrigo do «artigo 121, parágrafo segundo, incisivos I, IV e V do Código Penal» -- que enquadra casos de «homicídio qualificado», «cometido por motivo torpe» (I), «à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido» e «para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime» (neste caso, o desvio de dinheiro da herança de Tomé Feteira).

domingo, 25 de setembro de 2011

QUEM TRAVA O ‘BIG BROTHER’ ?

A novela da espionagem de Nuno Simas do Público, teve novos desenvolvimentos, com a identificação da ‘toupeira’ da Optimus que acedeu ilegalmente aos registos telefónicos do jornalista. O sucesso da operação deve-se, segundo o Expresso, ao facto da operadora de telemóveis – que desencadeou um inquérito interno - guardar os access logs* de quem consulta as suas bases de dados.
José António Saraiva alerta-nos, na última edição do semanário que dirige, para os bastidores deste caso de espiões, que classifica como uma ‘história de opereta’:
A menos que por detrás dele haja haja algo que nos escape – e que ainda não veio a público.
Uma coisa há – e é pública: a luta pela liderança da Impresa.
Desde 1973, data da fundação do Expresso (que deu origem ao grupo), o líder sempre foi Francisco Pinto Balsemão.
Sucede que, de há dois anos para cá, o  presidente da Ongoing, Nuno Vasconcelos - filho de Luiz Vasconcelos, número dois de Balsemão durante décadas, entretanto falecido – tem vindo a pôr em causa a liderança de Balsemão, fazendo-lhe graves acusações de má gestão.
Vasconcelos, que detém 23% da Impresa, diz ainda que não o deixam nomear um administrador.
Da luta surda passou-se ao confronto aberto – e há muito que se entrou na fase do ‘ou ele ou eu’.
Ou Balsemão resiste – ou Vasconcelos, que é 27 anos mais novo, lhe tira o lugar.
Se a descoberta da toupeira é positiva por ter pisado o risco da legalidade (quantos espiões não pisaram ? Para não falar de políticos e cidadãos comuns), esta novela dos espiões não pode deixar de nos preocupar. É que o ‘Big Brother’ das secretas e das polícias traz-nos também ao pensamento o caso Murdoch - News of The World e a violação generalizada e sem controlo da privacidade dos cidadãos.
_________________________
*Access logs são o registo histórico de todos os acessos às bases de dados e incluem pormenores como quem acedeu (através do username/pasword), quando acedeu, o que consultou exactamente e os detalhes do que fez.

sábado, 24 de setembro de 2011

UM EXPEDIENTE AÉREO

Vejam só esta engenharia financeira, em que com o dinheiro que se acabou por gastar para comprar 12 aeronaves se podiam ter comprado 17. Foram mais 115 milhões de euros do que o previsto (390 milhões).O modelo foi o seguinte, conta o semanário SOL, na sua última edição:

O Ministério da Defesa criou criou uma empresa, a DEFAERLOC, só com o objectivo de ser esta a comprar as 12 aeronaves [modelo C-295M para transporte militar] ao candidato vencedor, o consórcio europeu EADS-CASA. A seguir, a Defesa fez um contrato de locação com a DEFAERLOC, pelo qual esta lhe alugou os aviões, para uso da Força Aérea, mediante o pagamento de rendas. A DEFAERLOC pediu seguidamente um empréstimo a um sindicato bancário (Caixa-Banco de Investimento, BES, BCP e BPI) para poder fazer a aquisição, cedendo-lhe o direito sobre os créditos resultantes do aluguer dos aviões. E assim, no fim, foi o Estado quem pagou directamente aos bancos as rendas as ‘rendas’ pelo aluguer dos aviões – sendo a DEFAERLOC apenas uma sociedade meramente instrumental.

A responsabilidade directa do contrato, de 2006, é - segundo o SOL - dos então ministros da Defesa (Luis Amado) e das Finanças (Teixeira dos Santos).

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

PROVAS ARRASADORAS CONTRA DUARTE LIMA

Segundo a jornalista Felícia Cabrita, em investigação para o "Sol", as provas de envolvimento de Duarte Lima no assassinato da secretária de Lúcio Tomé Feteira no Brasil são arrasadoras. E estão sintetisadas, em manchete, na edição de hoje daquele semanário:
  • Carro de Duarte Lima esteve no local do crime na véspera do assassínio
  • Primeiro tiro foi disparado ainda dentro do automóvel
  • Carro foi entregue lavado e sem o tapete do lado do ‘pendura’
  • Ex-deputado disse não saber onde alugou o carro – mas escreveu à empresa a pedir a factura
  • Rosalina podia ter sido enterrada como indigente e nunca se descobrir o corpo: seria o crime perfeito


Ligação: Um crime por explicar

quarta-feira, 1 de junho de 2011

GOEBBELS TERIA APRENDIDO COM AS MÁQUINAS DE PROPAGANDA ACTUAIS ? (III)

Mas a máquina não fica por aqui. Tem muitas outras frentes de combate. Os assessores do primeiro-ministro organizam dossiês para cada ministro, dizendo-lhes como devem reagir perante o que diáriamente é publicado na imprensa. Assim, bem cedo pela manhã, um assessor telefona a um ministro, faz-lhe uma resenha da imprensa e diz-lhe o que ele deve responder a esta e àquela pergunta.
Claro que há ministros que não aceitam este paternalismo. Que querem ter liberdade para responder pela sua cabeça. Mas essses ficam logo marcados. Admito que Luís Amado não aceite recados, estou certo de que Campos e Cunha não os aceitou, Freitas do Amaral também não. Mas a maioria dos outros aceitou-os ou aceita-os , até para tranquilidade própria: assim têm a certeza de não cometer gaffes e não desagradar ao primeiro-ministro.
E já não falo nos boys colocados em todos os Ministérios e em todas as administrações das empresas públicas e que funcionam como correias de transmissão da opinião do Governo. Rui Pedro Soares é o caso mais conhecido. Mas obviamente não é o único. Eles estão por toda a parte. Muitas vezes nem têm posições de grande relevo. Mas o facto de se saber que são os porta-vozes do poder confere-lhes importância acrescida, porque as pessoas receiam-nos.

Como resultado de tudo isto, muita gente, mesmo do PS, tem medo. Evita falar: No congresso socialista, que mais parecia um encontro da IURD, vimos pessoas respeitáveis participar alegremente na farsa sem um gesto de distanciação. Chegou a meter dó ver António Costa, António Vitorino, o próprio Almeida Santos, envolvidos naquela encenação patética.
Que foi produzida como uma super-produção, com sofistificados meios audiovisuais. Quando Sócrates começou a proferir a primeira das três últimas frases do seu último discurso, uma música 'heróica' começou a ouvir-se baixinho. E foi subindo, subindo de tom - e quando Sócrates acabou de falar a música estoirou, as luzes brilharam, não sei se houve fogo preso mas podia ter havido, choveram flores, foi a apoteose.

Quem dirigirá esta poderosa e bem oleada máquina de propaganda e contra-propaganda ?
Haverá certamente um núcleo duro, ao qual não serão alheios aqueles dão a cara nos momentos difíceis. Francisco assis, Jorge Lacão, e os três Silvas: Vieira da Silva, Augusto santos Silva e Pedro Silva Pereira.
Há quem fale numa personagem misteriosa, sibilina, que não gosta dos holofotes e que dá pelo nome de Luís Bernardo. Actualmente é assessor de Sócrates, antes foi assessor de Carrilho na Cultura. Pedro Norton, actual número 2 da Impresa e seu amigo, diz que ele é «o homem mais inteligente que conhece».

Acontece que uma máquina política pode ser muito boa, pode estar muito bem oleada, pode funcionar na perfeição, mas tem sempre um ponto fraco: depende em última análise da performance de um homem.
Durante anos essa performance foi quase perfeita - por isso chamei a Sócrates um 'robô político'. Ora esse robô, agora, começou a falhar. E a derrota televisiva perante Passos Coelho pode ter posto em causa toda a engrenagem. O robô engasgou-se, exaltou-se, esteve à beira de colapsar.
E quando isso acontece não há máquina de propaganda que valha.


Ligações: GOEBBELS TERIA APRENDIDO COM AS MÁQUINAS DE PROPAGANDA ACTUAIS ? (I); GOEBBELS TERIA APRENDIDO COM AS MÁQUINAS DE PROPAGANDA ACTUAIS ? (II) .

terça-feira, 31 de maio de 2011

GOEBBELS TERIA APRENDIDO COM AS MÁQUINAS DE PROPAGANDA ACTUAIS ? (II)

A par das relações com os jornalistas, que se processam diáriamente, há outro aspecto decisivo que passa pelo controlo dos principais meios.
A tentativa de comprar a TVI falhou, mas José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes foram afastados e a orientação editorial da estação mudou. José Manuel Fernandes foi afastado do Público e a orientação do jornal também mudou.Medina Carreira foi afastado da SIC. O SOL foi alvo de uma tentativa de asfixia. E estes são apenas os casos mais conhecidos.
Por outro lado, o Governo soube cultivar boas relações com os patrões dos grandes grupos de media - a Controlinvest, a Cofina e a Impresa -, também como consequência das crises financeiras em que estes se viram mergulhados.
Podemos assim constatar que, das três estações generalistas, nenhuma hoje é hostil ao Governo, A RTP é do Estado, a TVI - que era muito crítica - foi apaziguada, a SIC tem-se vindo a aproximar do Executivo. Ora isto é anormal na Europa. Em quase todos os países há estações próximas da esquerda, há estações próximas da direita. há estações próximas do Governo, há estações próximas da oposição. Em Portugal é diferente.

Ainda no plano da contra-propaganda, já falei noutras alturas da técnica do boomerang. Como funciona ? Quando alguém da oposição (regra geral, o líder do PSD) diz qualquer coisa passível de exploração negativa, toda a máquina se põe a mexer para usar essa ideia como arma de arremesso contra quem a proferiu.
Passos Coelho diz que quer mudar certas regras na Saúde - e logo Francisco Assis, Silva Pereira, Vieira da Silva, Jorge Lacão ou Santos Silva, os gendarmes de serviço, vêm gritar: «O PSD quer acabar com o Serviço Nacional de Saúde». Passos Coelho diz qualquer coisa sobre as escolas públicas e as privadas - e lá vêm os mesmos dizer:«O PSD quer acabar com o ensino público gratuito!». Passos Coelho diz que quer certificar as 'Novas Oportunidades' - e os mesmos repetem «O PSD ofendeu 500 mil portugueses!». E, no final, todos dizem em coro:«O PSD quer acabar com o Estado Social!».
Passos Coelho não soube lidar com isto de início. E, perante estes ataques, acabou muitas vezes por bater em retirada. Propôs uma revisão constitucional e recuou. Outras vezes explicou-se em demasia. E com isso deu uma ideia de impreparaçãoe falta de convicção, que só recentemente conseguiu corrigir.

Ligações: Goebbels teria aprendido com as máquinas de propaganda actuais ? (I); Goebbels teria aprendido com as máquinas de propaganda actuais ? (III).

GOEBBELS TERIA APRENDIDO COM AS MÁQUINAS DE PROPAGANDA ACTUAIS ? (I)

José António Saraiva, director do semanário SOL, escreveu na revista Tabu, o que sabia sobre a máquina de propaganda do Governo socialista. E nós - pelo seu interesse - transcrevemos.

Essa máquina desdobra-se por várias frentes. Tem uma espécie de redacção central, que funciona como a redacção de um jornal, cuja missão é fazer constantemente contrapropaganda. Dispõe de um blogue chamado Câmara Corporativa e está permanentemente atenta a tudo o que se publica, desmentindo as notícias consideradas negativas para o Governo.
Além disso, critica artigos de opinião publicados em jornais, rebatendo os argumentos e, por vezes, ridicularizando ou desacreditando os seus autores.
Mobiliza pessoas para intervir nos fóruns tipo TSF que hoje existem em todas as estações de rádio e TV.
Selecciona na imprensa internacional notícias, artigos ou entrevistas favoráveis ao Governo português e põe-nos a circular entre jornalistas e colunistas 'amigos'.
É por esta última razão que vemos às vezes opiniões publicadas em obscuros orgãos de comunicação estrangeiros citadas em Portugal por diversas pessoas como importantes argumentos.
Outra vertente são as relações com jornalistas. Há uma rede de jornalistas 'amigos' e a coisa funciona assim: um assessor fala com um jornalista amigo e dá-lhe determinada informação. Chama-se a isto "plantar uma notícia" - e todos os Governos o fazem. Só que, uma vez a notícia publicada, às vezes com pouco destaque, os assessores telefonam a outros jornalistas e sopram-lhes" «Viste aquela notícia no sítio tal ? Olha que é verdade ! E é importante!». E assim a notícia é amplificada, conseguindo-se um efeito de confirmação.
Umas vezes as notícias plantadas são verdadeiras, outras vezes são falsas. O Expresso, por exemplo, chegou a publicar em semanas consecutivas uma coisa e o seu contrário. Significativamente, o que estava em causa era Teixeira dos Santos, que o PS queria queimar.
E constata-se que as notícias desagradáveis para a oposição têm mais eco que as outras. Veja-se a repercussão que teve uma carta de António Capucho publicada no SOL, que era um documento interessante mas não tinha a relevância que acabou por ter. A máquina de propaganda amplifica as notícias que interessam ao Governo.
Em seguida, os comentadores colocados pelo PS nos vários programas de debate que hoje enxameiam as televisões repetem os argumentos convenientes. José Lello, Sérgio Sousa Pinto, Emídio Rangel, Francisco Assis, etc., repetem à saciedade, às vezes como papagaios, as mesmas ideias. E mesmo António Costa, na Quadratura do Círculo, um programa de características diferentes, não foge à regra: nunca o vi fazer uma crítica a Sócrates. Mas vi-o fazer uma crítica brutal a Teixeira dos Santos, na tal altura em que começou a caír em desgraça.
As únicas situações em que as coisas fugiram ao controlo da máquina socrática foram os casos Freeport e Face Oculta. Só que aí era impossível abafá-los. E para os combater foram lançadas contra-campanhas, como expliquei noutros artigos. E houve pessoas que pagaram por isso.

Ligações: Goebbels teria aprendido com as máquinas de propaganda actuais ? (II); Goebbels teria aprendido com as máquinas de propaganda actuais ? (III).

sexta-feira, 27 de maio de 2011

SÓCRATES SAI, SE PERDER

Almeida Santos, Presidente do PS, disse ao "Sol", que, se o partido perder as eleições, Sócrates quererá saír, até para simplificar uma solução de Governo.
Se o PS ficar em segundo isso significa que Sócrates não será ministro. Poderá continuar líder, mas não é exigível é que quem é primeiro-ministro faça parte de outro governo com outro primeiro-ministro. Não me lembro de nenhuma democracia em que isso tenha acontecido, disse A. Santos.
Acho que José Sócrates, se não ganhar as eleições, vai ser difícil de segurar, mesmo como líder do partido. Eu tentarei tudo por tudo, mas vai ser difícil. Ele próprio há-de querer fazer tudo para simplificar uma solução nacional. E talvez o afastamento dele simplifique nessa altura uma solução nacional. Ele é um patriota, não tenho a mínima dúvida sobre isso, prosseguiu.
Será que Portugal seguirá o exemplo dos outros países europeus, que também pediram ajuda externa ?



quinta-feira, 10 de março de 2011

PINTO MONTEIRO PROCESSA O "SOL"

O Procurador-geral da República (PGR), em acção que deu entrada hoje na 8ª Vara Cível de Lisboa, processou o semanário Sol, o director e as jornalistas Felícia Cabrita e Ana Paula Azevedo, exigindo uma indemnização de 360 mil euros.
A SÁBADO online, que dá a notícia, não conseguiu saber do PGR quais os motivos deste processo. Já a jornalista Felícia Cabrita que ainda desconhecia o processo, comentou: O Pinto Monteiro? É um orgulho, será mais uma medalha na minha carreira de jornalista.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Carlos Castro, em 2007: o fim está próximo

Em 2 Junho 2007, prestes a lançar o seu livro de memórias "Solidão Povoada", Carlos Castro concedeu uma entrevista a José Fialho Gouveia (revista Tabú, do semanário Sol). Falou do pai que o amarrava à mesa, do vizinho que o violou aos seis anos e das muitas vezes em que foi abusado na prisão. Recordou o tempo em que viveu na rua, os amores e o sucesso que conquistou. A terminar, premonitóriamente, afirmou na entrevista que o seu fim estava próximo.
(...)
Por que decidiu publicar este livro agora, visitar tantos fantasmas e revelar tanta coisa?
Porque penso que o meu tempo de vida está a acabar.

Está doente?
Não. É algo que sinto.

Tem a certeza de que o fim está próximo?
Absoluta. É uma certeza minha. Profundamenteminha. Tenho noção de que muita gente por esse país fora irá deitar uma lágrima e dizer que morreu um grande homem. Pelo menos aquelas que me cumprimentam na rua e que gostam de mim.

Diz que o fim está próximo. Quão próximo?
Próximo. Já ultrapassei os 60 e não tenho apetência para uma caminhada muito mais longa.

Termina o livro escrevendo: ‘Quando morrer quero ser cremado. As minhas cinzas atiradas pelas ruas da Broadway, em Nova Iorque. Não me perguntem porquê’. Porquê?
[com os olhos cheios de lágrimas] Muita coisa me marcou em Nova Iorque. O bom teatro da Broadway, os grandes concertos que vi. Sinatra, Liza Minelli, Aretha Franklin. Poucos podem dizer que vi. Eu vi, viajei e toquei. O Carlos Castro é muito mais do que um cronista de costumes.

Leia a entrevista completa e veja o dossier do crime no portal do Sol.

Carlos Castro na Praça da Alegria (23 Maio 2008)

Sugestão: Leia também o artigo do "i" de um caso em que o assassino não se assumia como homossexual: Trumps. A lenda do Gay Artur ou as coincidências de um assassinato .

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A crise

Muitos dos nossos leitores têm-nos remetido textos dos media sobre a crise que tomou conta do País e que, naturalmente, tende a agravar-se com o tempo, se não reagirmos a tempo.
Um desses textos foi justamente este, de José António Saraiva (semanário SOL), que, pela sua actualidade (embora não sendo recente),  seleccionamos e reproduzimos:

Crise Nacional e Internacional

Crise nacional

Creio que a maioria das pessoas ainda não percebeu bem esta crise - e os economistas não estão a saber explicá-la com clareza.
É verdade, como se tem dito, que há uma 'crise nacional' e uma 'crise internacional'. Mas, depois desta evidência, a confusão que por aí vai é enorme.
Comecemos pela crise portuguesa.
Trata-se de uma crise profundíssima, potenciada por três factos capitais: o fim do Império, a passagem da ditadura à democracia e a entrada na União Europeia.
Tudo isso, que se pensava vir a ter um efeito benéfico na economia, produziu de facto consequências devastadoras.
O fim do Império limitou-nos o espaço vital, cerceou-nos matérias-primas e mercados, diminuiu-nos política e psicologicamente.
A passagem da ditadura à democracia (com o seu rosário de greves, nacionalizações, perseguições, saneamentos, reivindicações laborais insustentáveis, etc.) destruiu boa parte do nosso tecido económico. A entrada na União Europeia e a abolição das fronteiras pôs-nos em confronto com economias muito mais avançadas, acabando de liquidar o que restava da nossa débil capacidade produtiva.

A crise internacional é de outra natureza.

Ela decorre da globalização e tem duas vertentes.
Por um lado, os produtos feitos no Ocidente começam a não ter condições para competir a nível global com outros produzidos em países (China, Índia, Coreia, etc.) onde os salários e as regalias laborais são muitíssimo inferiores.
Por outro lado, as empresas tendem a transferir cada vez mais as suas fábricas e serviços de Ocidente para Oriente - o que significa que no Ocidente vai aumentar o desemprego e no Oriente vai acentuar-se a procura de mão-de-obra. E, em consequência disso, no Ocidente baixarão os salários, acabarão muitas regalias sociais, numa palavra, será posto radicalmente em causa o tipo de vida que se fez nos últimos 50 anos.
No Oriente, pelo contrário, os salários tenderão a subir e o nível de vida crescerá. Assim, a crise que hoje se vive no Ocidente é de natureza diferente das anteriores.
Antes, eram crises de crescimento do capitalismo dentro da sua área geográfica; agora, a crise tem a ver com a globalização do capitalismo. Repare-se que grande parte do planeta, que até pouco vivia fora do sistema capitalista, aderiu à sociedade de mercado: basta pensar nas adesões quase simultâneas da Rússia e da China para se ter uma ideia do abrupto alargamento da área do capitalismo nos últimos anos.
Os grandes grupos multinacionais, que antes estavam limitados a um determinado espaço territorial, hoje têm o planeta inteiro para instalar os seus centros de produção - podendo procurar os salários mais baixos, as melhores ofertas de mão-de-obra, as menores regalias dos trabalhadores.
O planeta tornou-se um sistema de vasos comunicantes - onde, para uns viverem melhor, outros vão ter de viver pior. Para certas regiões subirem o nível de vida, outras vão necessariamente perder privilégios. Perante isto, perguntará o leitor: o que poderemos fazer para inverter o estado das coisas?
Basicamente, não há nada a fazer.
Os factores que potenciaram a crise nacional são irreversíveis - e a globalização não vai andar para trás. Assim, vamos ter de nos adaptar à nova situação, o que significa de uma maneira simples trabalhar mais e ganhar menos. Os salários vão baixar (lenta ou abruptamente) entre 10 e 30%, os horários de trabalho vão aumentar (com a abolição total das horas extraordinárias), o 13.º e 14.º meses vão ficar em causa, a idade da reforma também vai ser ampliada (para perto dos 70 anos), o rendimento mínimo garantido vai regredir drasticamente, o subsídio de desemprego também vai diminuir, a acumulação de reformas vai ser limitadíssima.
Muitas 'conquistas dos trabalhadores' na Europa, obtidas no pós-guerra, vão regredir. As leis laborais vão ter de ser flexibilizadas. O sistema de saúde não vai poder continuar a gastar o que tem gasto. Preparem-se, porque não vale a pena protestar. O que não tem remédio, remediado está.
Dizia há dias, com graça, Ernâni Lopes, a propósito do subsídio de férias: «Se dissessem a um americano: 'Para o mês que vem não trabalhas e ganhas dois ordenados', ele não acreditava».
Pois há muitos anos é esta a situação: não trabalhamos nas férias e recebemos o dobro.
Isto, também, vai acabar.
José António Saraiva


Sugestão: Leia também o artigo A bananização do País , de Carlos Abreu Amorim (Diário de Notícias, de hoje)

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