quinta-feira, 12 de maio de 2011

SÓCRATES ESGOTOU A K7

Para bem de Portugal, Sócrates está cansado e mais só. No debate de ontem notou-se a falta que Teixeira dos Santos lhe faz. E muito mais.
Em primeiro lugar, a diferença de habilitações académicas foi notória, sobretudo para debater a economia e as finanças do País. Louçã - que é professor universitário de economia - levava a lição bem preparada e usou o factor surpresa com aquela carta desenterrada algures do governo para o FMI. Sócrates foi apanhado na sua dialética camaleónica: a variação da taxa social única e o seu discurso político são muito diferentes cá dentro e lá fora. E a taxa de juro que vamos pagar aos nossos amigos europeus (bem maior que a que vamos pagar ao FMI por 1/3 da "ajuda" financeira internacional), que não vai ser suportável pela nossa economia, deixou Sócrates nervoso e sem resposta.
Em segundo lugar, os argumentos repetitivos de Sócrates transformados em cassete (K7) estão a ficar esgotados. Já ninguém acredita que a culpa da nossa desgraça económico-financeira é do estrangeiro e da oposição - que se calhar, para Sócrates, não devia existir para ele estar mais à vontade a fazer disparates - mas sim da situação, isto é, do Governo que não soube prever, não soube poupar, não soube fazer o trabalho de casa e andou a adiar reformas* e a intervenção internacional, que nos limitou a margem de manobra para negociar. E ficou provado que o governo não sabe governar: só sabe gastar sem peias os recursos financeiros nacionais (actuais e futuros) que não temos e empenhar, o País.
Em terceiro lugar, Sócrates veio orgulhar-se de não ter ficado parado e ter reagido face às conjunturas que se lhe depararam. Ora, isto é o sofisma da má governação. Muitas vezes, mais vale não fazer nada, do que fazer disparates. Cavaco, numa das suas intervenções públicas, referiu o princípio da melhoria incontestável - que é um princípio da prudência e do bom senso, que Sócrates nunca teve -, que diz que só devemos proceder a mudanças quando estivermos seguros de que essas mudanças vão constituir uma melhoria incontestável. Se Sócrates tivesse interiorizado esse princípio e subsidiáriamente tivesse mentalidade de engenheiro, certamente que teria inferido que só devem ser concretizados projectos depois de fazer a respectiva análise de custos e benefícios e de estar certo, com uma probabilidade elevada, que os benefícios para o País vão ser superiores aos custos.
Em quarto lugar, o País começa a estar farto da propaganda e da imagem artificial de políticos, fabricada por empresas multinacionais de promoção e imagem, pagas a peso de ouro. Já toda a gente percebeu que um mau produto numa embalagem atraente e de luxo só engana quando se compra a primeira vez. É altura do consumidor devolver o mau produto e solicitar o reembolso.
Os portugueses ficaram a saber que, em política, estes enganos da embalagem não conferir com o produto, pagam-se caros. E na situação actual ainda mais. É que o País pode não sobreviver à doença. Sócrates não está preparado para enfrentar a crise: perdeu em toda a linha o debate com Louçã.
______________________ *As mexidas impulsionadas por Sócrates são, na sua maior parte, autênticos disparates. Veja-se na administração pública, o PRACE, que sem qualquer enquadramento de gestão (sectorial ou outro) ou ideológico, complementado com a diminuição das carreiras da função pública (acabando com a divisão de trabalho e a especialização cada vez mais necessárias nos dias de hoje), conduziu à destruição da organização e do funcionamento do Estado, e é uma reforma digna de um qualquer político anarquista ou socialista revolucionário do século passado.

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